Gergin Ginecologia

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sábado, 1 de abril de 2017

Mulheres que fazem sexo com mulheres também podem ter DST



Pessoal,

O mês da endometriose e da mulher acabou. Gostaram dos posts das redes sociais? Contem para mim!!! E quem não conseguiu acompanhar, corre lá, porque tem muita informação bacana!

Mas não é porque março acabou, que vamos deixar de falar de temas relevantes para saúde da mulher. Para começar abril, um tema que gera muitas dúvidas!!! E que sempre envolve tabus. Doenças sexualmente transmissíveis em mulheres que fazem sexo com mulheres.


Os dados científicos sobre o risco de DST – doenças sexualmente transmissíveis- entre mulheres que fazem sexo com mulheres são limitados. Existem muitos fatores que podem influenciar o risco de transmissão  nesse grupo, incluindo o tipo de exposição associado a história de sexo com homens.

A primeira atitude positiva que a ginecologista, qualquer profissional de saúde e todas as pessoas precisam ter para cuidar dessas mulheres ou se relacionar socialmente, é não rotular. Precisamos entender, respeitar e acolher mulheres que fazem sexo com outras mulheres igual fazemos com mulheres que fazem sexo com homens ou mulheres que não fazem sexo, respeito é bom e todo mundo gosta, né?Precisamos deixar de querer escolher necessariamente um termo na tentativa de definí-las. A mulher é quem deve escolher se quer ser definida como homossexual, lésbica, bissexual, qualquer outro nome ou nenhum nome simplesmente. Muitas dessas mulheres terão sexo com outras mulheres durante um período da vida apenas, outras uma vez na vida ou terão sexo apenas com mulheres sempre.

Essa população está deixando de receber informação de qualidade sobre seus riscos de contrair doenças e como se prevenir, simplesmente porque há preconceito demais, tabus demais.

82% das mulheres que tem sexo com mulheres já transaram com homens em algum momento, geralmente a sua primeira vez foi com homem e até 30 % continuam tendo relações com homens, mesmo que eventualmente. É importante que a ginecologista questione isso na consulta para estabelecer o risco dessa mulher para as demais DST como HIV/Aids, que é uma doença mais provável em sexo com homem do que mulher -mulher.

Mulheres que fazem sexo com mulheres e transam, mesmo que eventualmente com homens, tem mais risco de DST como clamídia, HIV e gonorreia do que as que tem apenas sexo mulher-mulher.

Mas mesmo as que  se auto-definem como lésbicas ou homossexuais exclusivas, é preciso ficar atento, pois algumas podem não saber se a parceira também transa apenas com mulheres ou se transa com homens também.


Atividades sexuais comuns entre mulheres que fazem sexo com mulheres incluem sexo oral(Boca à vagina), masturbação, penetração  vaginal com dedos, uso de brinquedos sexuais e genital para genital. Outras práticas podem incluir penetração anal com os dedos, fisting (mão à vagina) e rimming (Boca ao ânus)

Poucos estudos avaliam as taxas de DST causadas por diferentes práticas sexuais neste grupo de mulheres. Essas práticas podem expor essas mulheres ao sangue ou às secreções orais, vaginais, cervicais ou anais se proteção não for usada. Algumas atividades aumentam o risco de DST entre mulheres que fazem sexo com mulheres, incluindo sexo durante a menstruação, compartilhamento de brinquedos sexuais, sexo oral e rimming ( boca ao ânus).

Os brinquedos sexuais como vibradores ou dildos são comumente usados por mulheres que fazem sexo com mulheres, com uma frequência variando de 45-69% . O uso do vibrador tem sido considerado controverso em comunidades lésbicas .Dildos são vistos como representações do pênis e algumas mulheres podem não querer usar brinquedos sexuais para penetração vaginal.

Profissionais de saúde devem ter cuidado como questionam essas mulheres sobre a penetração vaginal, porque não se deve assumir que o uso de dildos é uma prática que todas as mulheres empregam. ( mas não é deixar de perguntar, porque precisamos o máximo para tentar orientar da melhor maneira possível!)

Existem vários métodos que podem ser usados para reduzir a propagação de DST.

Higiene dos brinquedos:
De acordo com esse estudo:

22% das mulheres que compartilhavam brinquedos com outras mulheres, nunca😳 os lavaram antes de compartilhar
31% lavava ocasionalmente
47% lavava sempre.👏🏽👏🏽

Um outro estudo realizou grupos de discussão com 23 mulheres bissexuais de 18 a 29 anos, que relataram usar uma variedade de métodos para limpar os brinquedos antes do uso. Métodos incluíram lavagem, fervura e esfregar, além de uso de álcool.

Nenhuma das participantes lavava os brinquedos sexuais durante o sexo, e os brinquedos eram frequentemente usado na vagina de uma parceira e depois na da outra. Algumas mulheres sentiram que a limpeza de brinquedos sexuais quebrava o clima. Identificaram também que a maioria das participantes não usaria preservativos em brinquedos sexuais, alegando que isso quebraria o clima também.  Gente, o que quebra o clima é ficar doente, certo?

O que a literatura médica sugere, mesmo havendo poucos estudos é:


-Compartilhamento de Brinquedos sexuais sem lavá-los entre o uso em cada parceira e não usar preservativos nos brinquedos sexuais pode aumentar o risco de transmissão de DSTs de secreções vaginais e cervicais – EX: vaginose, tricomoníase, gonorreia. 

A literatura destaca que as mulheres que têm relações sexuais com mulheres precisam levar a sério o ato de lavar brinquedos sexuais entre o uso em cada parceiro e não apenas antes do uso.  A opção alternativa sugerida é que cada parceira poderia ter um brinquedo sexual, em vez de reutilizar o mesmo brinquedo entre si. Incentivar as mulheres a usar preservativos nos brinquedos sexuais também poderiam reduzir o risco de DST do tipo corrimentos. Mas aí, precisa trocar o preservativo antes de colocar na parceira, ok?

O sexo oral é comum entre as mulheres que fazem sexo com mulheres, mas um estudo Identificou que 86% das mulheres nunca usou barreiras de látex conhecidas como dental dams. Que são super difíceis de encontrar. E muitas acham que o sexo não é igual, há perda de sensibilidade. Sim, concordo que deve ser mesmo menos legal. Mas é melhor que ficar doente ou transmitir doenças, né? 
Olha o Dental Dam  na foto abaixo (imagens da internet). E poderíamos substituir por papel filme, sabe aquele que usamos para embalar alimentos? Gente, não é para rir!!! É sério, ok? Isso pode evitar muitos problemas, alguns bem sérios!



A  utilização de tais barreiras para o sexo oral evitaria transmissão de DST como herpes que se manifestam como úlceras com bolhas, bem doloridas. O vírus herpes simples  pode ser transmitido durante o sexo oral aos genitais. 
Recomenda-se uma maior ênfase na educação sobre o possível risco de transmissão do herpes as parceiras. E se estiver com as lesões não transe até melhorar!E procure sua ginecologista!!

Mulheres que fazem sexo com mulheres tem mais chances de apresentarem vaginose bacteriana, que é uma doença que se apresenta como corrimento fétido e que pode facilitar outras DST como doença inflamatória pélvica causada pelas bactérias clamídia e a gonorreia.

 A chance de contrair herpes é alta, já que o herpes é comumente associado ao sexo oral e esse grupo geralmente pratica muito sexo oral.
Outras DST que se manisfestam como corrimentos fétidos, tais como a tricomoníase também são frequentemente encontrados nessas mulheres. Podendo ser transmitido apenas pela masturbação mútua, sem haver necessidade de genital com genital necessariamente.

Infecções pelo HPV, especialmente as verrugas genitais, são bastante frequentes nessa população. Além de sífilis que está por aí em todas os níveis sócio-culturais.


Então, se cuidem!! Usem preservativos, lavem os brinquedos, lavem as mãos, usem essas membranas e visitem a ginecologista regularmente para rotina e sempre que apresentarem sintomas. Lembrando que muitas dessas doenças as parceiras e parceiros também precisam ser tratados ao mesmo tempo. Por isso, é importante que parceiros sejam informados e também procurem atendimento médico. 

Gostaram? Se sim, curtam, compartilhem! E um ótimo final de semana!! De muita luz! 

Ref

segunda-feira, 13 de março de 2017

Endometriose suas teorias e a adolescência

Olá pessoal, 

Mais um texto sobre endometriose. Este sobre endometriose e adolescência e um pouco mais sobre as teorias sobre a endometriose.  Vamos lá?

Quem está acompanhando os posts aqui do blog e também das outras redes este mês já aprendeu o que é endometriose, certo? Só lembrando... é uma doença em que tecido endometrial ( que reveste internamente o útero) se gruda em outros locais causando inflamação. 

 A quantidade de mulheres que têm endometriose na população geral não é conhecida ao certo. As estimativas variam dependendo da população estudada ( com sintomas ou assintomáticas) e do método de diagnóstico (clínico ou cirúrgico). 


Fiquem atentas a esses números. São assutadores!!!
A doença foi relatada em 25 a 38 % das adolescentes com dor pélvica crônica

E 47% daquelas com dor pélvica crônica que se submetem a videolaparoscopia A ocorrência de endometriose entre as adolescentes submetidas à videolaparoscopia para dor pélvica que não melhorou com pílulas anticoncepcionais orais e  analgésicos anti-inflamatórios(AINEs) é de 50 a 70 %.

Dois terços das mulheres adultas com endometriose relatam que seus sintomas começaram antes dos 20 anos de idade. 

Embora antes se acreditasse que endometriose se manifesta apenas após muitos anos de menstruação, isso era incorreto: casos sintomáticos foram documentados antes da menarca - primeira menstruação da vida- em meninas que têm algum desenvolvimento mamário, e outras logo após a menarca.

Algumas adolescentes podem ter uma predisposição genética para desenvolver endometriose. Isso tem sido mostrado em alguns estudos. 

Como eu também venho escrevendo e falando durante este mês. Muitas teorias têm sido propostas para explicar a causa da endometriose. Nenhuma teoria explica todos os casos, mas todas as teorias ajudam a explicar alguns aspectos da doença. Isso não é diferente para as adolescentes. 



Algumas teorias são propostas:


● A teoria da implantação ou da menstruação retrógrada sugere que o tecido endometrial do útero é derramado durante a menstruação e transportado através das trompas de Falópio, obtendo acesso e grudando nas estruturas pélvicas.
Esta teoria é apoiada pela observação de que a endometriose ocorre mais comumente nas áreas próximas ao útero, como trompas, ovários, bexiga e intestino, além do peritôneo - revestimento da barriga por dentro. 

Além disso, as malformações congênitas obstrutivas do trato genital feminino, ou seja, quando a menina nasce com uma malformação no útero ou colo do útero ou vagina e quando começa a menstruar nem todo o sangue menstrual que é formado consegue sair, fica preso, o que aumenta o fluxo retrógrado. Deu para entender ou ficou confuso?😬 

Essas condições têm sido associadas à endometriose na população adolescente!
A correção cirúrgica deste tipo de anomalia obstrutiva faz parte do tratamento da endometriose nesses casos, que felizmente são raros. 

● A endometriose em locais fora da pelve poderia ser explicada pela disseminação de células endometriais ou tecido através de vasos linfáticos e vasos sanguíneos.

● A teoria da metaplasia celômica propõe que existem células indiferenciadas capazes de se transformar em tecido endometrial em lugares diversos do corpo. 

● A teoria de transplante direto é a provável explicação para a endometriose que se desenvolve em episiotomia e outras cicatrizes cirúrgicas.

● A teoria da imunidade celular, que é a hipótese proposta mais recentemente, sugere que uma deficiência na imunidade celular permite que apareça tecido endometriótico.


 Por isso, é importante que todos valorizem as queixas nesta faixa etária para que possamos fazer diagnóstico  e início do tratamento o mais rápido possível. Se você, sua amiga adolescente, sua filha, neta ou qualquer mulher do seu circulo de relacionamentos reclama de cólicas todos os meses, tente achar espaço em uma conversa para sugerir que ela procure a ginecologista, que ela leia um pouco sobre endometriose, busque ajuda!

Atualmente e especialmente em adolescentes ginecologistas estão autorizados a iniciar tratamento apenas com diagnóstico clínico, não é preciso esperar exames específicos e muito menos fazer cirurgia para começar a cuidar nessas pacientes. 

Esse arsenal de exames e cirurgia será necessário se o tratamento hormonal proposto inicialmente falhar. 
O mais importante é manter controles regulares dessas meninas, para que possamos manter sua qualidade de vida e sua fertilidade para quando e se quiserem ter filhos no futuro!

Grande abraço




sexta-feira, 3 de março de 2017

ENDOMETRIOSE: "Precisamos falar sobre ela"

Pessoal, 


Boa tarde!!!

Por conta do mês da mulher que é também o mês mundial da conscientização sobre endometriose. Dei uma pausa nos posts sobre sangramento uterino anormal e este mês vamos falar só de endometriose por aqui e também no instagram e facebook. 

Hoje eu escrevi aqui um texto falando um pouco da definição, causas, sintomas e tratamento, um apanhado geral. Ao longo do mês, todos os dias teremos pequenos posts com outras dicas e informações no insta e face. 

Vamos lá?


A endometriose é uma condição em que o tecido, semelhante ao tecido que normalmente cresce dentro do útero, também cresce fora do útero. O tecido dentro do útero é chamado de "endométrio" e o tecido fora do útero é chamado de "endometriose". Os lugares mais comuns onde ocorre a endometriose são os ovários, as trompas de falópio, o intestino e as áreas na frente, nas costas e nos lados do útero.



Algumas mulheres com endometriose têm poucos ou nenhuns sintomas, enquanto outras têm dor leve ou até incapacitante com ou sem dificuldade em engravidar. Não há cura para a endometriose, mas existem várias opções de tratamento. O melhor tratamento depende da sua situação individual. Ou seja, é preciso uma boa avaliação com a ginecologista para individualizar seu caso, de acordo com sua idade, sintomas, desejo gestacional, entre outros fatores.

CAUSAS
A causa da endometriose não é conhecida. Uma teoria comum é que algum sangue menstrual e endométrio retorna através das trompas de Falópio e para a pelve durante um período menstrual. Este tecido então gruda e se desenvolve de forma errada nesses locais. Isso é chamado de teoria da menstruação retrógrada. Existem várias outras teorias e há muita pesquisa mundo a fora para encontrar uma causa definitiva.





SINTOMAS

 Algumas mulheres com endometriose não apresentam sintomas. O sintoma mais comum é dor na área pélvica, especialmente durante a menstruação.


Dor - A dor pélvica causada pela endometriose pode ocorrer:

● Pouco antes ou durante o período menstrual. Em algumas mulheres, os períodos dolorosos pioram ao longo do tempo.
● Entre os períodos menstruais, com dor que piora durante o período
● Durante ou após o sexo
● Com as evacuações ou  ao urinar, especialmente durante o período, se a endometriose estiver acometendo o intestino e/ou trato urinário.
A dor pélvica pode ser causada por muitas outras condições, incluindo contrações dos músculos do assoalho pélvico, infecções pélvicas e síndrome do intestino irritável. Por isso, é muito importante que procure a ginecologista para avaliação, só com a avaliação médica em consulta será possível investigar e descobrir se sua dor é causada por endometriose ou outro problema.


Endometriose causa infertilidade?

A endometriose pode tornar mais difícil engravidar. Isso pode ocorrer porque endometriose pode provocar aderências dentro da barriga, que são como cicatrizes internas que modificam a forma normal dos órgãos e seu funcionamento adequado.  Podendo danificar os ovários ou trompas de Falópio. Mesmo as mulheres com endometriose que não têm tecido cicatricial podem ter dificuldade em engravidar. E não se sabe ao certo o motivo, existem estudos avaliando possíveis alterações imunológicas, entre outras.

Nas mulheres que engravidam, a endometriose não prejudica a gravidez. Os sintomas da endometriose muitas vezes melhoram após a gravidez.

Endometriomas (cistos de chocolate) - As mulheres com endometriose podem desenvolver cistos ovarianos que contenham endometriose. São chamados de endometrioma. Endometriomas são geralmente preenchidos com sangue antigo que se assemelha a calda de chocolate.

DIAGNÓSTICO:

O diagnóstico começa na suspeita clínica baseada nos sintomas que a mulher conta e exame físico. No entanto, a única maneira de saber com certeza se você tem endometriose é realizar cirurgia para biopsia do tecido anormal. Felizmente hoje, mesmo sem um diagnóstico de certeza absoluta através de cirurgia, com uma boa consulta médica e exames de imagem como ultrassonografia pélvica com preparo intestinal ou ressonância, já podemos considerar o diagnóstico e iniciar tratamento clínico. E se houver necessidade de cirurgia como parte do tratamento, aí sim, operamos!




A endometriose é considerada leve, moderada ou grave, dependendo do que é encontrado no exame de toque, exames de imagem e cirurgia.

 Mulheres com doença leve podem ter sintomas graves, e as mulheres com doença grave podem ter sintomas leves. Falei sobre isso em uma postagem do instagram, passa lá para ver!



TRATAMENTO:

 Existem várias opções de tratamento para mulheres com endometriose:

● Antiinflamatórios não esteróides e outros analgésicos que  buscam controlar a dor mas não controlam a evolução da doença.
● Medicações hormonais anticoncepcionais com bloqueio ou não da menstruação.
● Outras formas de tratamento hormonal, como os análogos de GnRh que provocam uma menopausa temporária.
● Cirurgia, preferivelmente por via robótica ou videolaparoscopia convencional.




Além disso tudo, sempre fará parte da consulta médica dessas mulheres orientar sobre mudança no estilo de vida:

  • Melhora dos hábitos alimentares
  • Prática regular de atividade física
  • Tudo isso para se manter em peso corporal adequado para sua altura. 
  • Atividades que ajudem no gerenciamento do estresse, como hobbies, meditação, etc.

Muitas dessas mulheres sofrem com dores por longos períodos, anos até, então é muito importante que a ginecologista proponha um acompanhamento psicológico em conjunto com o tratamento médico. O tratamento da endometriose deve ser multiprofissional, com a ginecologista como líder desse time. Pode envolver nutricionista, psicólogo, psiquiatra, médicos especializados em tratar dor, cirurgiões coloproctologistas, urologistas, fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico, entre outros. 

É preciso acolher da melhor maneira possível essas mulheres. E uma das melhores maneiras de fazer isso é conhecer sobre o assunto, divulgar entre amigas, colegas, familiares e os homens também. Porque essas mulheres tem sua vida afetada em casa, na escola e no trabalho com parceiros, pais, amigos, chefes, colegas de trabalho. Quanto mais os homens ao nosso redor souberem sobre a doença menos preconceito, mais empatia e mais diagnósticos precoces com resultados de tratamento mais eficientes!

Vem comigo nesta divulgação?

Espero que tenham gostado!!

Grande abraço e um final de semana de muita luz!!! 

Bárbara Murayama




quinta-feira, 2 de março de 2017

Cartilha da Endometriose

Pessoal,


Este é o Mês Mundial da Conscientização sobre a Endometriose.

Falarei muito sobre isso por aqui e nas demais redes sociais.


Para começarmos, um texto que escrevi para o blog do Hospital 9 de Julho e o link para a cartilha que fizemos com muita informação de qualidade sobre a Endometriose.

Espero que gostem!!
Se gostarem curtam, compartilhem! Porque educar as pessoas em geral sobre a doença é a melhor maneira de fazermos diagnósticos mais rápidos!!

Segue o link e boa leitura!!!

Grande abraço! Um dia de luz para todos!!!

Bárbara Murayama

bit.ly/2lY7IuZ






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Adenomiose e é carnaval!!!

Pessoal, 

Preparados para carnaval?

Carnaval é tempo de festa, mas nem por isso precisa perder toda a noção e voltar doente ou machucada, né?

Para quem vai para a folia não esqueça de se hidratar, alimentar bem e usar preservativo!!!

 As doenças sexualmente transmissíveis estão a todo vapor! Melhor previnir!! HIV, sífilis, herpes, HPV, gonorréia, clamídia, tricomonas, hepatites, entre outras....e não pense que acontecem só com pessoas de classes socio-culturais desfavorecidas, porque acontecem com qualquer um que se exponha. Independente de raça, credo, orientação sexual. Sexo é uma delícia e com responsabilidade pode ficar melhor ainda!! Use camisinha inclusive para sexo oral, ok?

Aos rapazes, respeito é bom e as mulheres gostam! Nada de forçar beijo e muito menos sexo! Sexo que a mulher não consentiu é estupro sim, mesmo se for sua esposa, namorada ou "peguete"! Então vamos procurar nos relacionar com quem quer se relacionar com gente! E meninas, caso sofram abuso, procurem ajuda médica imediatamente para que as prevenções possam ser feitas em tempo hábil. E denunciem também!!! Não é culpa sua, independente da sua roupa ou comportamento! 

Mas seguindo o cronograma do blog, hoje está previsto escrever sobre esta doença que pode ter como um dos sintomas sangramento uterino anormal...Adenomiose!! Vamos lá....


O que é a adenomiose uterina? 


 É uma doença que causa períodos menstruais com maior fluxo de sangue ​​e dolorosos nas mulheres. Em pacientes com adenomiose uterina, o útero costuma ser maior que o normal e o miométrio(camada muscular do útero) costuma aparecer alterado em exames de ultrassonografia e ressonância. Isso acontece porque o tecido parecido com o que que normalmente fica dentro do útero e se descama durante a menstruação, o endométrio, começa a crescer dentro das paredes do útero de forma errada.



Adenomiose frequentemente acontece junto com outros problemas que afetam as mulheres, especialmente endometriose e miomas. 

Por que é importante falar sobre adenomiose?

A frequencia de adenomiose nas mulheres não foi determinada com precisão, uma vez que o diagnóstico só pode ser feito com certeza por exame microscópico do útero, tipicamente após histerectomia. Mas estima-se que afete cerca de  20% das mulheres, em um outro estudo esse achado chegou a 65%. 

 Até recentemente, a adenomiose era apenas diagnosticada no momento da histerectomia. A maioria dos estudos sugere que as mulheres submetidas a histerectomia( retirada do útero) para a adenomiose estão nos últimos anos antes da menopausa. No entanto, isso resulta em uma falta de informações sobre os estágios iniciais da doença. Estudos que utilizam imagens pélvicas, em vez de histerectomia, para o diagnóstico sugerem que a adenomiose pode ser encontrada inclusive em adolescentes.

Além disso, o fato de que a adenomiose coexiste com outras doenças uterinas, principalmente miomas uterinos e endometriose, contribui para as lacunas na compreensão desta doença. 

Quais as causas da doença? Como ela se forma?

 As causas exatas da adenomiose não são conhecidas.

 As principais teorias são que ela se desenvolve a partir de infiltração do endométrio (camada interna do útero) no miométrio (camada muscular, onde acontece a doença)  ou que a pessoa já nasça com focos de endométrio no meio do miométrio, o que seria um defeito no desenvolvimento do embrião. 
Também há uma linha de pesquisa relacionando processos biomoleculares diferentes no tecido doente em relação ao tecido endometrial normal.

Os hormônios estrogênio e progesterona parecem desempenhar um papel na formação da adenomiose, como ocorre em outras doenças ginecológicas Esta conclusão é principalmente pensada a partir da resposta positiva dos sintomas aos tratamentos hormonais. 

Finalmente, outras teorias sugerem que hormônios como a prolactina e hormônio folículo estimulante (FSH), que têm efeitos uterinos diretos, também podem ter papéis na formação desta doença, sem nada ainda muito conclusivo. 

Ou seja, há ainda muito a ser estudado para uma definição precisa das causas. 


Quais são os sintomas da adenomiose?

● Aumento do fluxo menstrual tanto em quantidade de sangue quanto em dias de sangramento.
● Períodos dolorosos e esta dor pode acontecer também fora do período menstrual, em casos mais graves.
● Dificuldade para engravidar.


Quando procurar a ginecologista? 

Devemos ir pelo menos uma vez ao ano a ginecologista para avaliação de rotina desde meninas antes mesmo da primeira menstruação e a qualquer momento se apresentar menstruação com dores e mudança no padrão menstrual, ou seja, aumento de quantidade e duração. Lembram da balança do último post?



Quais exames são necessários? 

Nenhum dos exames que existem hoje pode mostrar com certeza se você tem adenomiose. Mesmo assim, existem alguns que podem ajudar a ginecologista a descobrir o que pode estar causando seus sintomas.Hoje, cada dia mais, o Ultrassom transvaginal especialmente com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve com preparos específicos têm nos ajudado a suspeitar fortemente e iniciar controle dos sintomas, sem necessidade de cirurgia alguma para diagnóstico.

 Mas nenhum exame substitui a consulta médica, a conversa sobre seus sintomas e o exame físico ginecológico completo. A partir disso, a ginecologista irá pensar em qual o melhor exame que geralmente será o ultrassom transvaginal e depois talvez uma ressonância magnética.



Como é o tratamento da adenomiose? 

É preciso pensar no desejo ou não de ter filhos dessa mulher e quais os sintomas que a estão incomodando. O único tratamento comprovado e defintivo para adenomiose é a cirurgia para remover o útero, chamado de histerectomia, que pode ser realizada via vaginal ou via abdominal através de técnicas variadas: robótica, videolaparoscopia convencional ou cirurgia aberta comum. 

Mas existem outras opções de tratamento para controle de sintomas e que tentam evitar que a doença piore, pensando em reduzir o sangramento intenso e a dor. Caso a mulher queira engravidar, é preciso investigar profundamente o casal e avaliar qual o melhor tratamento.

Dentre os tratamentos para controle dos sintomas da doença estão:

DIU medicado - Um tipo de DIU, que libera levonogestrel, hormônio da família das progesteronas, (O DIU deve ser colocado dentro do útero pela ginecologista). Tem duração de 5 anos. É uma medicação e como tal pode provocar efeitos colaterais como sangramento de escape, discreto inchaço, acne, entre outros. Portanto, é muito importante discutir tudo isso com a ginecologista antes de decidir pela colocação.

Ablação endometrial - É uma cirurgia por histeroscopia para retirada da camada interna do útero, o endométrio. Esse procedimento tem por objetivo diminuir o sangramento. Só pode ser realizado por médico histeroscopista e em mulheres que não querem mais engravidar.

Algumas vezes, podemos escolher associar o DIU medicado a ablação endometrial.


● Medicamentos analgésicos podem fazer parte do cuidado dessas mulheres para melhorar a qualidade de vida delas.
●  Anticoncepcionais e outras medicações hormonais ajudam no controle da dor, sangramento e da doença. Idealmente buscamos sempre o bloqueio da menstruação. As pílulas ou qualquer outra medicação hormonal devem ser prescritas exclusivamente pela ginecologista, nunca use medicação por conta própria!!

Hábitos de vida saudáveis sempre irão fazer parte das orientações a essas e qualquer outra mulher durante a consulta. Então, manter ou iniciar atividade física regular, hábitos alimentares saudáveis. Além de não fumar, praticar atividades que ajudem a gerenciar estresse. 

Espero ter conseguido explicar um pouco sobre essa doença ainda tão desconhecida, mas que acomete muitas mulheres e prejudica muito a qualidade de vida delas!

Um excelente carnaval de folia ou descanso a todos!!!

Grande abraço!

Bárbara Murayama