Gergin Ginecologia

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Perda de peso pode melhorar fertilidade

Pessoal,

Acredito que estejamos todos muito tristes com a tragédia que aconteceu esta semana com o avião da Chapecoense. Ficaremos de luto e abalados por muito tempo. Meus sentimentos a todos os familiares! E como foi linda a homenagem dos Colombianos! Gracias Colombia!


Mas a vida segue. Hoje o post será sem foto, sem cores.

Escolhi falar sobre um tema relacionado a vida, a fertilidade, baseada em um artigo que li esses dias, mas que estava na lista de artigos a serem lidos há um tempo.  

A relação da obesidade e a fertilidade. 

Em uma consulta de rotina ginecológica sempre verifico peso e altura da mulher, também pergunto sobre sua alimentacão, prática de atividade física entre outros hábitos. Isso é importante para que seja possível orientar e estimular mulheres a terem hábitos mais saudáveis. Essa mudança de hábitos terá influência positiva em diversos aspectos da vida. 

Em posse do peso e altura calculo o Índice de massa corpórea:

IMC =  Peso
            Altura²

É sabido que a obesidade (estar com índice de massa corporal - IMC- acima de 30) está associada a um aumento dos riscos de infertilidade e aumento de complicações em de uma gravidez. 

Por esta razão, as mulheres obesas são encorajadas a perder peso antes de tentar engravidar e sempre que vem em consultas de rotina procuro tocar neste assunto, sempre com palavras de incentivo e motivação, porque sei o quanto é difícil mudar hábitos, especialmente quando temos uma rotina corrida. 

 No entanto, o real impacto de programas de intervenção de estilo de vida nesta população não tinham sido avaliados por um grande estudo científico até este momento. Recentemente, um estudo publicado no New England, um dos jornais médicos mais importantes, selecionou aleatoriamente 577 mulheres inférteis (mais de 1 ano tentando engravidar sem sucesso) com IMC ≥ 29 kg / m2 e as colocou em um programa de perda de peso estruturado de seis meses antes do tratamento de infertilidade. 

O grupo de intervenção, ou seja que passou pelo programa de mudança de estilo de vida, obteve maior taxa de gravidez natural (26 versus 16%). 
Outros dados sobre o estudo: 
- Apenas 38% das mulheres atingiram a meta de perda de peso (5 a 10% do peso corporal original) 
- 22% abandonaram o programa, o que limitou a interpretação dos dados. 

De qualquer maneira, mesmo sendo preciso mais estudos a cerca do assunto. Acredito que vale a pena continuar  a aconselhar a perda de peso, mudança de hábitos de saúde, prática de atividade física regular e alimentação saudável para mulheres obesas ou que estejam acima do peso e até as magras mas que não tem bons hábitos, porque é uma intervenção barata, de baixo risco para melhorar a probabilidade de gravidez natural e tem benefícios a longo prazo para a saúde global. 

Esta é a referência do estudo: 
Randomized Trial of a Lifestyle Program in Obese Infertile Women.
N Engl J Med. 2016 May;374(20):1942-1953

Grande abraço

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Herpes Genital

Pessoal, 

Hoje passo para escrever sobre uma doença que, infelizmente, não passo uma única semana sem ver: herpes genital!

Mas antes de começar quero dizer que hoje é dia da mulher da minha vida! Minha mãe! Feliz aniversário para vovó do Pedro, dona Maria Altair! Te desejo mais muitos anos de saúde para curtir seu neto e tocar violão! Te amo!




Agora sim, voltando ao tema...

O que é?
Herpes genital é uma doença sexualmente transmissível comum que é causada pelo vírus herpes simplex. 

 O herpes genital é causado pela infecção com o vírus do herpes simples, geralmente o tipo 2. Também pode ser causada pelo vírus herpes simples tipo 1, que é a causa mais comum do herpes oral. 

Depois de ficar infectada, a maioria das pessoas têm episódios recorrentes de úlceras genitais durante vários anos. Embora a infecção possa permanecer no corpo por anos, os surtos tornam-se cada vez menos comuns com o tempo, em pessoas que não tem doenças que prejudicam sua imunidade. 

Quando se está com lesões não se deve ter relações e sempre que é diagnosticada uma DST, é importante que se conte aos seus parceiros sexuais. O herpes genital pode ser transmitido mesmo quando não há úlceras visíveis ou bolhas. Por isso é tão importante usar preservativo em todas as relações sexuais. 

Vejo muitas mulheres que estavam usando preservativos enquanto não estavam namorando e tendo sexo casual e que ao entrarem em um novo relacionamento, em pouco tempo, param de usar preservativo com o novo parceiro ou parceira e é neste momento que podem se contaminar com herpes e outras DSTs. Por isso, quem é minha paciente sabe, eu pego no pé para que usem preservativo!!! 

E como descubro?

Ser diagnosticado com herpes genital ou qualquer DST pode ser uma experiência emocional angustiante, e é importante procurar logo serviço médico para o diagnóstico, controle e orientações.


O diagnóstico é basicamente clínico, as lesões costumam ser bem características. Pode ser confirmado por exame de sangue em alguns casos. 

O que posso sentir?
Os sintomas de herpes genital podem variar se for a primeira vez ou se for um episódio recorrente. Algumas pessoas são infectadas mas nunca terão sintomas. 

Episódio inicial - Para a maioria dos indivíduos, o primeiro surto de herpes é o mais grave, e os sintomas tendem a ser mais intensos em mulheres do que em homens. O primeiro surto geralmente ocorre dentro de algumas semanas após a infecção com o vírus. Os sintomas tendem a resolver dentro de no máximo duas a três semanas.

Os sinais de um episódio inicial de herpes genital incluem bolhas múltiplas na área genital, feridas, úlceras. Costuma ser bastante doloroso, podendo até doer para urinar e sentar. Para as mulheres, os locais mais frequentemente envolvidos incluem a vagina, vulva, nádegas, ânus e coxas.

Após o surto inicial, o vírus "viaja" para um feixe de nervos na base da coluna vertebral, onde permanece inativo por um período de tempo. Isso é chamado de fase latente. Não há sintomas durante esta fase.

Episódios recorrentes - Muitas pessoas experimentam episódios recorrentes de herpes genital, que ocorrem quando o vírus "viaja" através dos nervos para a superfície da pele, causando novo surto. Estes episódios recorrentes tendem a ser mais leves do que o surto inicial. 

Lembrando que é muito importante não ter relações durante os surtos!!! Além de transmitir para o parceiro ou parceira, pode agravar o seu caso se a outra pessoa também tiver a doença e há risco aumentado de adquirir outras doenças sexualmente transmissíveis se a pessoa for portadora, como HIV, hepatite B ou C, Sífilis entre outras. 

As úlceras podem desenvolver-se na mesma área que as do primeiro foco, ou podem aparecer em outros lugares. É possível desenvolver lesões em áreas onde não há contato direto. Por exemplo, é possível ter lesões ao redor do ânus sem ter tido sexo anal.



Cerca de metade das pessoas com um surto recorrente sente sintomas leves antes do aparecimento das lesões. Estes são chamados sintomas prodrômicos, e podem incluir coceira, formigamento ou dor nas nádegas, pernas ou quadris. 

Ficar doente, estresse, cansaço e qualquer outra situação que piore a nossa imunidade podem desencadear surtos de herpes recorrentes. Nas mulheres, os períodos menstruais podem ser um fator desencadeante.

As mulheres conquistaram uma liberdade sexual muito importante nos últimos anos, mas sexo desprotegido pode trazer consequências sérias. Além de todas as doenças graves que podem ser adquiridas, há grande prejuízo na qualidade da sexualidade da mulher que adquire uma DST. Muitas tem dificuldade de voltar a ter relações com tranquilidade, sentem dores crônicas entre outras questões. Por isso, o melhor caminho é a prevenção através do sexo seguro com uso de preservativo!


Grande abraço 

Bárbara Murayama



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Controle da dor de pacientes com endometriose

Pessoal, 


Todo mundo já teve alguma dor em algum momento da vida. Mas nem todo mundo já teve dores crônicas, ou seja, aquele tipo de dor que dura pelo menos 3 meses. 

Muitas mulheres com endometriose passam anos sentindo dores. A endometriose é uma doença crônica que pode causar cólicas menstruais, dores pélvicas intensas, dores nas relações sexuais, infertilidade. 

Nem sempre é fácil tratar essas dores. Eu já me senti incapaz no dia a dia do consultório algumas vezes, quando minhas pacientes com endometriose demoram a melhorar ou tem uma crise de dor quando eu já achava que estavam bem controladas, mas aprendi a insistir, tentar de outro jeito, dar apoio a elas e aos familiares...às vezes apenas acolher nos momentos mais complicados e estudar e me manter atualizada sempre!!! 



Muitas mulheres, que não tem acompanhamento adequado, se tornam frequentadoras assíduas de pronto-socorros, algumas se tornam dependentes químicas de medicamentos. 

Há muitas faltas ao trabalho, a escola, a faculdade. Há problemas com relacionamentos amorosos, pois a dor também pode ser durante o sexo. 

Então, essas pacientes sofrem com a dor e sofrem com tantas outras questões. E nem vou escrever hoje aqui sobre as questões relacionadas a fertilidade que também são prejudicadas pela doença. 

Atualmente simplesmente com a suspeita da doença através da história clínica da mulher e o exame físico, já podemos iniciar o tratamento clínico da doença. 

É sempre importante ressaltar que qualquer medicamento deve ser tomado sob orientação médica  e a mulher precisa ser acompanhada por um médico. Neste caso, por uma ou um ginecologista. 


Diversas medicações podem ser usadas sozinhas ou associadas. 

Desde antiinflamatórios para controle da dor, medicamentos hormonais- como simples anticoncepcionais de estrogênio com progesterona ou apenas com algum tipo de progesterona. Por diversas vias, desde comprimidos, adesivos, anel vaginal, injeções, dispositivos intra uterinos, implantes e até via vaginal. 

Algumas vezes é necessário uso de medicações com efeitos mais intensos e uso mais restrito como análogos de GNRH que bloqueiam todo o eixo hormonal, causando uma situação de menopausa temporária. Essas pacientes podem ter sintomas como se estivessem menopausadas e é importante pensar em realizar terapia hormonal para proteger os ossos e deixá-las com menos sintomas de fogachos ( calorões) por exemplo, entre outros benefícios. 

Muitas vezes, é preciso realizar cirurgia. Mas as cirurgias, por mais bem feitas que possam ser feitas, não são curativas!!! São parte de um processo de controle da doença. 

A paciente precisa manter o tratamento clínica até entrar na menopausa. 
Poderá ter momentos da vida com melhor controle e outros momentos mais difíceis. Por isso é muito importante ter uma médica em quem confie durante todo o tempo. 

Algumas opções não medicamentosas podem ser associadas para controle da dor e da ansiedade gerada pelos problemas associados, como acupuntura, psicoterapia e fisioterapia do assoalho pélvico. Existem fisioterapeutas especializadas em endometriose, que muito nos ajudam!

Manter atividade física regular e hábitos alimentares saudáveis sempre trará benefícios. 

Mantenha visitas regulares a ginecologista! Faça seus exames de rotina! E fale para os homens que você ama também se prevenirem, afinal estamos no Novembro Azul!!!

Abaixo duas dicas de restaurantes com comida de verdade super saudáveis e que amamos!! Gente, não tenho nenhum conflito de interesse com esses restaurantes, apenas sou cliente, acho a comida deliciosa e o que é bom, compartilho!

Este primeiro é do Sr. Sergio, um senhor japonês de Hiroshima super simpático que faz grelhados de peixes. Pedro ama, o seu preferido é o salmão, o meu é a anchova!!!




E este é o Lilori, uma padaria/restaurante onde tudo é sem glúten de verdade!! Sem contaminação!! Como muitos sabem eu tenho doença celíaca, então não posso nem chegar perto de nada com glúten que passo mal. 

A primeira vez que fui lá e descobri que podia pedir qualquer coisa do cardápio sem me preocupar... até chorei! Por isso, é claro que amo!!  Eles abriram uma lojinha no Shopping Higienópolis esses dias, que tem menos coisas mas ficou linda! Desejo toda sorte pra eles neste novo endereço!!! Para que continuem fazendo pessoas felizes!!



Grande abraço!!



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Miomas do útero - quando é preciso operar?

Pessoal,

Outro problema que vejo diariamente no consultório são mulheres com miomas.  O útero, órgão feminino que abriga o bebê durante a gestação e produz a menstruação, é feito de músculo, e os miomas são tumores benignos que crescem a partir deste músculo, chamado miométrio.

Vamos falar um pouco sobre miomas, então?

Existem basicamente 3 tipos de miomas, de acordo com o local onde crescem no útero:
1. Miomas submucosos - crescem para dentro da cavidade uterina
2. Miomas intramurais: acontecem nas paredes do útero
3. Miomas subserosos: localizados na camada mais externa do útero, a serosa.

Os miomas são muito comuns. Aproximadamente 80 % das mulheres terão miomas em sua vida, embora nem todas essas mulheres tenham sintomas. Os miomas devem ser tratados quando causam sintomas. 

Os sintomas dependem do tipo de mioma, ou seja, da sua localização. E também do seu tamanho.

Os miomas são mais comuns, mais graves e ocorrem em idade mais precoce em mulheres afrodescendentes, mas não se sabe o porque disso.

Aqui estava sendo pintada por uma linda e simpática  mulher africana em um restaurante na Cidade do Cabo - África do Sul 


A causa exata dos miomas é desconhecida. Parecem responder aos hormônios femininos estrogênio e progesterona. Algumas mulheres têm genes específicos que podem trazer uma predisposição.

Podem variar em tamanho de microscópico até maiores que 10 cm de diâmetro. A maioria são pequenos e não causam nenhum sintomas. No entanto, algumas mulheres têm períodos menstruais com fluxo de sangue maior ​​ou mais longos, algumas sentem dores, sensação de pressão pélvica e até inchaço. Esses sintomas podem ser leves, mas para algumas podem ser muito graves a ponto de causar anemia e prejuízos a sua qualidade de vida como um todo.
Miomas grandes podem também comprimir órgãos vizinhos e causar alteração no funcionamento normal desses órgãos como intestino e bexiga.



Problemas com fertilidade e gravidez - A maioria das mulheres com miomas são capazes de engravidar sem problema. No entanto,  os miomas submucosos distorcem o interior do útero e por isso podem causar problemas para engravidar ou até abortamento. Para esse tipo de mioma, o melhor é a retirada através de cirurgia histeroscópica.  Essa remoção pode otimizar a fertilidade.

A maioria das mulheres com miomas têm uma gravidez completamente normal, sem complicações. No entanto, as mulheres com tumores grandes (maior que 5 a 6 cm)  podem ter um risco aumentado de complicações específicas da gravidez.

O tratamento depende de muitos fatores, por isso deve ser individualizado.

Pode ser necessário apenas o acompanhamento com consultas e exames regulares periodicamente até uma cirurgia.

Para o mioma submucoso quando a paciente sangra muito ou ainda pretende engravidar, a cirurgia por histeroscopia é excelente. A miomectomia por histeroscopia é um procedimento por via vaginal, sem cortes externos, nem cicatrizes.

miomas grandes intramurais ou subserosos que causam sintomas, em mulheres que ainda querem manter o útero seja por opção seja por desejo de gestar, as opções de miomectomia são:
- cirurgia convencional
- laparoscopia
- laparoscopia robótica assistida

O mais importante antes de uma cirurgia é conversar muito com sua ginecologista para que ela esclareça toda as suas dúvidas sobre os riscos, possíveis complicações, etc.


Espero que tenham gostado do texto e que tenha sido útil! Lembrem-se que nada substitui a consulta médica!!!

Grande abraço

Bárbara Murayama







sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Cistos de ovário - posso engravidar depois do tratamento cirúrgico?

Pessoal,


Para quem me acompanha aqui há pouco tempo, comecei a escrever este blog durante a gestação do Pedrinho, quando precisei ficar de repouso por conta de alguns problemas durante a gestação ( quem quiser saber sobre isso, corre lá nos primeiros posts...) e agora 6 anos depois ele está terminando a Educação Infantil e começando a ler, escrever de tudo...muito orgulho e amor envolvido!!


E por falar em filhos, resolvi escrever hoje sobre um tipo de cisto de ovário específico, porque depois que tive o Pedro fiquei ainda mais cuidadosa e atenta às minhas pacientes que têm doenças ovarianas e ainda querem ter filhos.


Cistos de ovário de todos os tipos são o dia a dia de uma ginecologista. Hoje vou escrever um pouco sobre teratoma de ovário, também conhecido como cisto dermóide.

É um dos tipos mais comuns de tumor/cisto de ovário. A maioria é benigna.

 O teratoma cístico maduro é responsável por mais de 95% de todos os teratomas ovarianos e é quase sempre benigno. O cisto dermóide é o tumor ovariano mais comum em mulheres na segunda e terceira décadas de vida.

Esses cistos podem conter tecidos como por exemplo, pele, dentes, cabelos, ossos, glândulas sebáceas e material sebáceo, músculo, tecido do sistema urinário e até tecido de pulmão e gastrointestinal, etc.

Podem acontecer nos dois ovários ao mesmo tempo em torno de 15 % das vezes.


A maioria das mulheres com cistos dermóides não sentem nada e descobrem por acaso em exames de rotina, por isso é muito importante manter sua rotina ginecológica em dia. 
Algumas mulheres podem se queixar de dor pélvica. os sintomas dependem do tamanho do cisto. Torção do ovário não é incomum e é uma urgência, pois geralmente causa muita dor. A ruptura de cistos dermóides é incomum.


O diagnóstico é pelo exame físico completo e ultrassonografia pélvica. Como tem características bem marcantes, deixa pouca dúvida ao ultrassom. Mas o tipo de teratoma apenas será definido pela biópsia feita após a cirurgia.

O tratamento é cirúrgico. A cirurgia para retirada do cisto/tumor é o tratamento de escolha, pois permite o diagnóstico definitivo, além de nos permitir tentar preservar o máximo de tecido ovariano possível e evitar possíveis problemas como torção, ruptura ou desenvolvimento de componentes malignos.


Os cistos dermóides podem ser removidos via laparoscopia (cirurgia por vídeo), cirurgia robótica ou mesmo cirurgia convencional se as outras vias não estiverem disponíveis. As vias laparoscópica ou laparoscópica robótica  são preferidas sempre que possível por serem minimamente invasivas, com menor perda de sangue, recuperação mais rápida.

Membros do time de cirurgia robótica de nossa equipe: Marcos, Fernando, eu e o robô atrás. Após uma de nossas cirurgias

Transformação para câncer - Transformação maligna ocorre em 0,2 a 2 % dos teratomas.
As chances disso acontecer são maiores em mulheres acima de 45 anos ,  tumores maiores que 10 cm, com crescimento rápido.

Uma dúvida frequente quando falamos em problemas nos ovários é sobre a fertilidade. A maioria das mulheres que tiveram teratoma são capazes de engravidar naturalmente. Mesmo se um ovário tiver sido removido, as mulheres com apenas um ovário geralmente podem engravidar.

O ideal é sempre conversar com sua ginecologista antes do procedimento e esclarecer as dúvidas sobre os riscos, possíveis complicações do procedimento e chances de engravidar depois.

Toda cirurgia em que vamos mexer nos ovários em mulheres que ainda querem filhos, precisamos conversar sobre preservação de fertilidade e reserva ovariana. A mulher precisa saber dos riscos de perder parte da sua reserva de óvulos durante um procedimento de retirada de um cisto de ovário e o que pode ser feito antes e depois.

Grande abraço!
Bárbara Murayama






quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Pílula do dia seguinte

Pessoal, 

Hoje as possibilidades para nos protegermos e escolhermos quando e se queremos ter filhos são enormes. Tem uma infinidade de métodos disponíveis. E é muito importante individualizar esta escolha junto com sua ginecologista. Já escrevi aqui sobre métodos anticoncepcionais. 

Mas esses dias recebi algumas mensagens de rapazes através da minha página do facebook https://www.facebook.com/gerginginecologia/
Eles estavam preocupados com suas namoradas que tomaram pílulas do dia seguinte e estão com dúvidas. Então, achei bacana escrever um pouco sobre isso, pois pode ser dúvida de outras pessoas. 

Parabéns a esses e todos os rapazes que se preocupam com suas parceiras e participam!!! Sexo é algo que se faz junto e as consequências boas e ruins devem ser encaradas junto também. 
imagem da internet

Vamos lá?

A contracepção de emergência (também conhecido como contracepção pós-coito ou pílula do dia seguinte) é o uso de medicamentos ou de um dispositivo (DIU) como uma medida de emergência para evitar a gravidez. Aqui vou falar apenas sobre as pílulas de levonogestrel, ok?

As mulheres que tiveram relação sexual desprotegida recente, incluindo aquelas que tiveram uma falha de outro método de contracepção, são potenciais candidatas para esta intervenção. Esse método é destinado para uso ocasional ou back-up, e não como um método contraceptivo  para uso rotineiro.
Essa talvez seja a informação mais importante: se a mulher precisou usar uma pílula mais de uma vez em um curto período, é importante que procure seu ginecologista para escolher um método regular.

Nos Estados Unidos, uma em cada nove mulheres em idade reprodutiva utilizou contracepção de emergência pelo menos uma vez entre 2006 e 2010.


Quando tomar?
  • Quando não foi usado nenhum método contraceptivo
  • Quando seu método falhou, seja uma camisinha que estourou ou  ter esquecido de tomar as pílulas adequadamente por exemplo. Cada método tem um jeito correto de usar. Antes de começar a usar, converse com sua ginecologista, leia a bula e esclareça todas as suas dúvidas sobre como usar.


Como os métodos de emergência funcionam?

  • Retardam a ovulação,  inibem a fertilização.  
  • Afetam a viabilidade e função do esperma.

Todos os contraceptivos de emergência  só funcionam antes de uma gravidez já implantada. Se a mulher já estiver grávida, não funcionam.  NÃO SÃO ABORTIVOS!! Essa é talvez a segunda informação mais importante!

A pílula de levonorgestrel tem taxa de falhas de 2 a 3 % e impede cerca de 50 % das gestações.


E se a mulher estiver acima do peso?

As mulheres obesas (IMC- índice de massa corpórea ≥30 kg / m2) que tomam pílula do dia seguinte parecem ter 4x maior risco de gravidez  e mulheres com sobrepeso (IMC de 25 a 29,9 kg / m2) parecem ter  2x maior risco de gravidez. Na verdade, para as mulheres com sobrepeso e obesidade, uso de levonorgestrel não foi associada com uma redução significativa na taxa de gravidez, em comparação com as que não tomaram nada.


E se a mulher faz uso de medicações de uso contínuo?

Se a mulher faz uso de algum desses medicamentos, a pílula do dia seguinte talvez não tenha o efeito esperado! Porque esses medicamentos reduzem os níveis de levonorgestrel no sangue:

anticonvulsivantes (por exemplo, os barbitúricos, primidona, fenitoína, carbamazepina)
Antituberculose (por exemplo, rifampicina, rifabutina)
Anti-retrovirais
antifúngicos
 Converse sempre com sua ginecologista antes de tomar qualquer medicação!

E se minha menstruação bagunçar?
Sangramento irregular não é incomum no mês após o tratamento. E essa é uma das principais aflições das pacientes, muitas ficam desesperadas com sangramentos adiantados ou atrasados. Em um estudo científico com mulheres que tomaram pílulas de  levonorgestrel para contracepção de emergência, 16% relataram sangramento não-menstrual na primeira semana após o uso.
Essa irregularidade passará em breve para a maioria das mulheres e a menstruação voltará ao normal. Mas o ideal é ter um acompanhamento médico da sua ginecologista antes e depois do uso da pílula do dia seguinte. Só após consulta médica, exame físico a médica poderá orientar a mulher sobre isso adequadamente.

Outros efeitos secundários comuns incluem tonturas, cansaço, dor de cabeça, sensibilidade mamária e dor abdominal inferior.

A pílula então, não deve ser usada como o método anticoncepcional de rotina e tampouco previne contra doenças sexualmente transmissíveis. 

Portanto, o ideal é usar preservativo em todas as relações e conversar com sua médica sobre um método regular se estiver tendo relações frequentes, que pode ser o próprio preservativo, desde que usado corretamente.

Fico por aqui!!

Grande abraço!

Bárbara Murayama


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Osteoporose - o que eu posso fazer sobre isso?

Pessoal,

Esta semana foi comemorado dia Mundial da Osteoporose. É uma doença que me desperta interesse primeiro porque mulheres após a menopausa tem risco aumentado de desenvolverem e sou especialista em saúde da mulher, acredito que a prevenção é sempre a melhor solução, quando possível. A população do país está envelhecendo mais e precisa de um envelhecimento seguro e saudável. Também porque o vovó Hiro, meu pai, é portador da doença e por isso acabei me envolvendo ainda mais nesta causa, pois é um problema que pode prejudicar muito a qualidade de vida dos vovôs e vovós.

Eu e vovô Hiro, como não cuidar e ser cuidada por esse fofo?

"Dia Mundial da Osteoporose, celebrado em 20 de outubro, é uma data para chamar atenção para o problema que, segundo dados da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), atinge cerca de dez milhões de pessoas no Brasil. Outro dado da IOF revela que de cada três pacientes que sofreram fratura no quadril, um tem o diagnóstico de osteoporose; e deste número, um em cada cinco, recebe algum tipo de tratamento.
Idosos, principalmente mulheres pós-menopausa, são os que mais sofrem da osteoporose. Além da idade avançada, outros fatores de risco são histórico familiar, dieta pobre em cálcio e vitamina D, fumo, álcool, vida sedentária e deficiência hormonal.
Problema Silencioso
A osteoporose é um problema silencioso, assintomático, que ocorre quando há um enfraquecimento progressivo da massa óssea. O  principal objetivo da prevenção e do tratamento é evitar fraturas, que ocorrem mais comumente em locais como coluna, punho, braço e quadril. Nos idosos, a osteoporose pode levar a complicações sérias como dores crônicas, dificuldades para locomoção e diminuição da qualidade de vida."

Mas afinal o que é a osteoporose? - A osteoporose é uma doença que faz com que seus ossos fiquem fracos. As pessoas com a doença podem ter fraturas com muita facilidade. Por exemplo, as pessoas com osteoporose, por vezes, quebram um osso depois de cair em casa ou passeando com o cachorro   (ainda mais nas calçadas desta cidade, cheia de buracos e irregularidades).

Quebrar um osso pode ser grave, especialmente se o osso for do quadril. Pessoas que quebram um quadril, podem ter dificuldade de andar sozinhas. Fraturas das vértebras da coluna podem causar dores crônicas, dificuldade de movimentos. Qualquer fratura dói e limita.  Por isso é tão importante, a prevenção de queda, especialmente em idosos. Além de prevenção e tratamento de osteoporose em todas as pessoas.


Como posso saber se tenho osteoporose?  A osteoporose não causa sintomas até que você quebre um osso. Mas podemos saber pela sua história se você tem fatores de risco para doença e através da densitometria óssea,que é um tipo especial de raio-X, fazer o diagnóstico e seguimento.

Os especialistas recomendam testes de densidade óssea em mulheres com mais de 65. Isso ocorre porque as mulheres nessa faixa etária têm o maior risco de osteoporose. Ainda assim, outras pessoas devem, por vezes, fazer o exame a depender de sua história pessoal e familiar.


Quais são os fatores de risco?

  • Idade ( acima de 65)
  • Fratura Anterior
  •  Uso de medicações a base de corticoide a longo prazo
  •  Baixo peso corporal
  •  A história familiar de fratura
  • Tabagismo
  •  Ingestão excessiva de álcool

O que posso fazer para manter meus ossos o mais saudáveis possível? 

● Comer alimentos com uma grande quantidade de cálcio, como leite e derivados, vegetais de folhas verdes.
● Comer alimentos com uma grande quantidade de vitamina D e tome sol regularmente antes das 10 e após as 16h.
● Repor cálcio e vitamina D sempre que seu médico  prescrever.
● Praticar atividade física regular, sob orientação profissional
● Não fumar
● Evitar ingesta de bebidas alcoólicas

Evite cair!! Parece simples, mas você pode evitar uma série de fraturas, reduzindo as chances de uma queda.  Algumas dicas:

● Certifique-se de todos os seus tapetes têm um apoio antiderrapante para mantê-los no lugar
● Arrumar os cabos elétricos, para que eles não fiquem em seu caminho
● Manter corredores, escadas bem iluminadas e usar o corrimão sempre.
● Cuidado com pisos escorregadios. Usar sapatos firmes quando lavar chão.
● Usar sapatos confortáveis e ​​resistentes com solas de borracha, firmes ao pé. Evitando tirinhas e saltos altos.
● Ir ao oftalmologista regularmente para ter certeza que está enxergando bem.
● Pergunte ao seu médico se algum dos seus medicamentos pode deixá-lo tonto ou aumentar o seu risco de queda.

Mas você que é jovem, pratica esportes, tem hábitos saudáveis, precisa fazer algo além de manter tudo isso? Sim, olhe para casa dos seus pais, dos seus avós, dos idosos ao seu redor, olhe para eles!! A casa deles é segura contra quedas? Os sapatos que eles usam são adequados? Os óculos estão em dia? Que tal observar essas coisas durante o final de semana e ajudar as pessoas próximas com algumas boas dicas?

A osteoporose pode ser tratada? - Sim, existem alguns medicamentos para tratar a osteoporose. Estes medicamentos podem reduzir as chances de fraturas.

Ainda estamos em outubro, em que falamos muito de câncer de mama e sua detecção precoce. Mas há diversas outras doenças que hoje podemos prevenir ou diagnosticar em fase inicial. Muitas não tem sintomas no começo. Por isso, a principal dica é manter o acompanhamento médico regular.

Um ótimo final de semana a todos!!!

Grande abraço

Bárbara Murayama