segunda-feira, 4 de abril de 2016

Histeroscopia e infertilidade

Pessoal,

O Pedro desde pequeno mostra interesse por fotografar, pega nossas câmeras tira fotos, filma até debaixo da água em viagens. Acho que o gosto por câmeras é de família. A vovó Tatá, minha mãe sempre gostou de fotos, eu adoro e até profissionalmente uso uma câmera para olhar úteros por dentro...
 self tirada pelo Pedro este final de semana

A histeroscopia é a avaliação da cavidade do útero com uma câmera.  A versão exame de histeroscopia, histeroscopia diagnóstica ou ambulatorial pode ser realizada inclusive em mulheres virgens, pois fazemos pela técnica de vaginoscopia em que usamos um aparelho muito fino que atravessa o hímen sem rompê-lo. 

Imagem da internet


Ainda usando esses mesmos equipamentos podemos realizar pequenos procedimentos, mas se você for agendar uma histeroscopia diagnóstica e precisa realizar um procedimento, o seu médico precisa ser bem específico na solicitação médica.


Este exame tem sido muito útil em pacientes com infertilidade, ou seja, aquelas que estão há pelo menos um ano tentando sem sucesso. Este exame complementa as informações trazidas pelo ultrassom e até pela ressonância. 
Nessas pacientes iremos em busca de alterações anatômicas, como malformações da vagina, colo do útero  e do próprio útero. 
Também precisamos ficar atentas a presença de pólipos ( às vezes, o ultrassom não enxerga pequenas formações), miomas. 
Observamos e, por vezes, fazemos biópsias do endométrio - camada interna do útero. 
Observamos todo o trajeto do canal do colo do útero, também os orifícios que levam às tubas. 


O útero tem, normalmente, uma cavidade virtual. Imaginem uma bexiga de festa vazia. Há uma cavidade ali no meio, mas se não enchermos de ar ou água, uma parede fica encostada na outra, certo? Com o útero é assim também. Por isso, para conseguirmos enxergar lá dentro dessa cavidade virtual, enchemos a cavidade com um líquido. Para a histeroscopia diagnóstica, é soro fisiológico. 
Quando colocamos água dentro de uma bexiga, as paredes da bexiga se esticam, certo? Com o útero é assim, as paredes musculares se esticam, se contraem e isso pode gerar desconforto, cólica. Por isso algumas mulheres preferem realizar com sedação. 

Eu realizo este exame no Hospital em que trabalho e a maioria das pacientes tem feito a opção por sedação. Apesar de ser um exame rápido e passível de ser realizado sem anestesia, para algumas mulheres pode ser bastante doloroso. 

Hoje dispomos de um bisturi com energia bipolar, que pode ser inclusive, usado em ambiente ambulatorial ( mesmo equipamento da histeroscopia diagnóstica) para realizar procedimentos. Super seguro, principalmente para mulheres que têm diabetes, doenças cardíacas ou problemas renais, em que usar outros líquidos diferentes do soro fisiológico, poderia aumentar o risco.  


Algumas malformações do útero, vagina e colo podem e devem ser corrigidas. O septo uterino é a malformação que tem melhor resultado com a cirurgia histeroscópica. Todo o procedimento é via vaginal e a mulher poderá tentar engravidar já no próximo ciclo. 

Pólipos e miomas submucosos - aqueles que se localizam na camada interna do útero - também deverão ser removidos através da histeroscopia, idealmente a histeroscopia cirúrgica, que usa instrumental um pouco diferente, mas continua sendo um procedimento vaginal sem cortes aparentes ou cicatrizes. 

É esperado que após um exame ou cirurgia de histeroscopia a paciente fique alguns dias sangrando, mas após este prazo ela deve voltar a menstruar normalmente, a não ser que use alguma medicação que bloqueie ou que tenha realizado um procedimento que retira todo endométrio- ablação endometrial. Mas este procedimento não é indicado para quem ainda pretende ter filhos e sim para mulheres que sangram mais do que o normal. Então, falo dele outro dia...

Boa semana a todos!!

Grande abraço!

Bárbara Murayama





  

quarta-feira, 9 de março de 2016

Março: Mês da mulher e da endometriose

Pessoal,

Pedrinho estava com febre nos últimos dias, todo tempo livre para ele e por isso acabei não conseguindo passar por aqui.

Filhote já está melhor!!!

Este ano escolhi falar o mês todo sobre endometriose. Estamos realizando palestras dentro e fora do Hospital, além de outras ações educativas.

http://www.h9j.com.br/institucional/noticias/paginas/endometriose_1.aspx/



 Acredito que tem tudo a ver com o mês das mulheres, já que é considerada a Doença da mulher moderna e toda essa "modernidade" vem das conquistas históricas, desde o triste dia 8 de março de 1857, quando as operárias  foram mortas.

Trabalhar fora, ter uma carreira é uma prioridade e uma necessidade para muitas mulheres que também querem ser mães. Mas o mercado de trabalho e a sociedade como um todo ainda está engatinhando na gestão dessas pessoas ao redor dessa fase da vida.

Muitas de nós mulheres adiam a maternidade para investir na carreira, por medo de perderem algo que já tem ou deixarem de conquistar uma posição, já que sabem que a gravidez e a nova grande prioridade - o filho- pode tomar tempo e dedicação preciosos à empresa ou a equipe da qual faz parte.

Todos esses medos eu também passei, claro. Mas o desejo de ser mãe se tornou mais forte lá em 2010.

Confesso que minha carreira desacelerou um pouco logo que voltei. Em parte, porque eu queria diminuir o ritmo para ter mais tempo para o Pedro. Mas gradativamente tudo foi se encaixando de uma maneira tão melhor  e especial que eu nem poderia ter imaginado há 5 anos atrás.

Algumas empresas já entenderam que a mulher não precisa se assemelhar a um homem para ser competente. Essas empresas já entenderam que mulheres felizes, que tem oportunidade de ser mães se quiserem, com apoio de suas equipes, de seus líderes e empresas, rendem mais. Se dedicam muito mais, porque colocam gratidão e amor incondicional ao trabalho que executam.

Como mulher e mãe sou um exemplo disso, tenho a oportunidade de fazer meus horários com alguma flexibilidade, o que me permite trabalhar muito- talvez mais do que devesse até, mas com tempo de qualidade para o Pedro. E uma satisfação que não tem preço.

O Pedro vez ou outra me pergunta: "Mamãe, por que você vai trabalhar?"E minha resposta é: Porque a mamãe gosta muito do que faz.


Como médica de mulheres, ouço histórias tristes de empresas que desvalorizam excelentes mulheres profissionais simplesmente porque querer exercer seu direito de ser mãe, de gestar, de amamentar. Muito poucas empresas oferecem condições para mulher manter o aleitamento materno após o retorno ao trabalho.

Mas tive uma paciente grávida do seu segundo filho, que foi contratada gestante por uma das maiores e melhores empresas do mundo. Acompanhei todo o processo durante o seu pré-natal e tenho certeza que a empresa não se arrependeu!


Os gestores precisam valorizar mulheres e homens igualmente quanto as oportunidades, mas sempre buscando enxergá-las como seres diferentes em sua essência, com competências e necessidades diferentes. Nem melhores, nem piores, apenas diferentes e tão especiais quanto.

Que tenhamos um lindo mês de conquistas, mas nunca deixando de ser femininas!!
Fecho com essa imagem da artista britânica Adelaide Damoah, ela era representante comercial da indústria farmacêutica, mas por conta dos sintomas da Endometriose, deixou o emprego e passou a se dedicar a pintura!

Abraços
Bárbara Murayama








quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Cirurgia robótica - Opção cirúrgica promissora para endometriose

Pessoal,

A folga de uma semana foi ótima!! Foi bom rever amigos, passear, curtir a família. Mas acabou e desde então muito trabalho. E quer saber? Eu adoro!!!

Na foto a família na Praia da Pipa. Que mar é esse?!

Alguns dias precisei trabalhar até tarde da noite.

Não gosto de ficar sem ver o Pedrinho à noite, fico me sentindo super culpada. Mas explico muito bem para ele e ele parece orgulhoso do meu trabalho, do jeitinho dele, isso me tranquiliza.

A endometriose é uma das doenças que mais cuido no consultório hoje em dia, acredito que por ter formado uma equipe muito especializada cirurgicamente e por realmente gostar de cuidar dessas pacientes no dia a dia, vê-las melhorarem com o tratamento adequado, acabo recebendo novas pacientes quase que diariamente.

Também gosto muito de falar sobre esse assunto sempre que tenho oportunidade, porque infelizmente muitas pacientes que chegam a mim ou a colegas também especialistas, já fizeram uma peregrinação, por vezes foram subtratadas, o que acaba permitindo o avanço da doença. Então, quanto mais informação as pessoas tiverem a respeito melhor, né?

É uma doença em que o tecido, semelhante ao tecido que normalmente cresce no interior do útero - chamado endométrio, também cresce fora do útero. Os locais mais comuns onde a endometriose ocorre são os ovários, as trompas de Falópio, o intestino e as áreas ao redor do útero. Também pode acometer bexiga e até mais raramente pulmões por exemplo, entre outros locais.

Algumas mulheres com endometriose têm poucos ou nenhum sintoma, enquanto outras têm dor  de intensidade variável e/ou dificuldade para engravidar.



Alguns dos sintomas:


  • Dor pélvica durante o período menstrual ou fora do período. Em algumas mulheres, a dor é progressiva ao longo do tempo, ou seja, inicialmente a mulher apresentava apenas cólicas durante a menstruação e com o passar dos meses ou anos tem dor também fora da menstruação e assim por diante.
  • Dor durante as relações sexuais
  • Dor e até sangramento para evacuar e para fazer xixi, geralmente relacionada ao período menstrual em mulheres que tem comprometimento do intestino ou da bexiga respectivamente. 

A endometriose pode tornar mais difícil engravidar. Isso parece ter relação com o tecido cicatricial que a doença desenvolve, o que pode danificar os ovários ou trompas de Falópio e toda a posição original dos órgãos da pelve. Mesmo as mulheres com endometriose que não têm esse tecido cicatricial da doença podem ter dificuldade para engravidar e as causas disso ainda são incertas. 

A causa da endometriose não é conhecida. Uma teoria comum é a da menstruação retrógrada, em que algum sangue menstrual reflui para trás através das trompas de Falópio e para dentro da pelve durante um período menstrual. Este tecido, em seguida, cresce onde ele cair na pelve.  Existem várias outras teorias. Muito ainda a ser estudado e descoberto.


Em mulheres que engravidam, endometriose não prejudica a gravidez. Os sintomas da endometriose frequentemente melhoram após a gestação. Porque os 9 meses de gestação somados ao período de aleitamento provoca um bloqueio natural das menstruações, o que funciona como um tratamento para endometriose. 

Não há cura para a endometriose, mas existem várias opções de tratamento e controle. O tratamento precisa ser individualizado de acordo com a queixa e desejo gestacional.

O tratamento e controle vão envolver bloqueio da menstruação em todo o tempo que a mulher não estiver tentando engravidar.

Pode ser necessário alguma cirurgia, essa definição precisa ser individualizada, levando em consideração sintomas, idade, desejo reprodutivo, reserva ovariana de óvulos, entre outros fatores e  a cirurgia robótica tem nos ajudado muito, pois facilita o acesso, a preservação dos órgãos sadios, melhor recuperação, menos sangramento, menos tempo de internação, entre outros benefícios.


A cirurgia robótica é uma cirurgia videolaparoscópica em que os instrumentais são segurados por um robô, mas sempre controlados pelo médico.
Na foto eu ( com carinha de cansada), Marcos e Fernando ginecologistas da minha equipe e o robôzinho ali atrás


Frequentemente precisamos de uma equipe multiprofissional para acompanhamento dessas mulheres: como urologistas, coloproctologistas e também, por vezes chamaremos fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico e médicos especialistas em dor para nos ajudar no controle da dor crônica. Não menos importantes os especialistas em reprodução humana quando essas pacientes tem desejo reprodutivo. Além de psicólogas, já que dor crônica e infertilidade precisam ser tratadas com muito respeito, carinho e atenção.

Aproveito para agradecer a equipe do Dr. Daher- urologista e da Dra. Paula Volpe e Dr Domene- coloproctologistas, que sempre ajudam, brilhantemente, a minha equipe nos casos de endometriose  operadas por robótica. Obrigada sempre!! Vocês são top!!!

O objetivo da cirurgia para endometriose é remover implantes de endometriose e tecido cicatricial. A maioria das mulheres que realizam a cirurgia melhoram da dor durante vários meses após a cirurgia. Mas há grande chance da dor voltar caso não se mantenha o bloqueio da menstruação após a cirurgia. Após uma cirurgia, depois do tempo de recuperação definido pela equipe médica, a mulher que deseja engravidar poderá até tentar uma gestação natural. Isso deverá ser discutido com sua ginecologista, levando em conta novamente idade, reserva ovariana, grau de comprometimento da pelve pela doença. 

Se você tem sintomas suspeitos ou dúvidas, procure sua ginecologista! Mantenha sempre acompanhamento de rotina! 

Abraços

Bárbara Murayama






sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

É carnaval...dicas para mulherada curtir sem ficar doente!

 Olá Pessoal, 


O carnaval chegou!!

Acho que nunca contei aqui, mas foi em um carnaval, neste da foto, que decidimos que queríamos engravidar! Então, tenho um carinho especial pelo Carnaval de 2010! Depois da folia em Salvador, voltamos e dois meses depois eu estava grávida, esperando o Pedro! Na foto uma das minhas melhores amigas e os nossos maridos. Ela é uma das madrinhas do Pedro, mas mora em NY, nos vemos menos do que gostaríamos...ai que saudades!

  E esta semana já atendi muitas mulheres com problemas relacionados a folia pré-carnaval dos "Bloquinhos" que aconteceram todo o final de semana passado por aqui, então resolvi escrever algumas sugestões para curtir o carnaval sem trazer de lembrança algum problema de saúde. Adoro carnaval desde criança... herdei essa paixão da minha mãe, carnaval não tem idade! Quem gosta, gosta e pronto! Com filho pequeno, aproveitamos bloquinhos, clube ou apenas para curtir ao máximo os dias de folga com ele na praia ou piscina, afinal, quem tem filho pequeno sabe que é sempre uma folia!

E até por gostar tanto dessa época, gosto de orientar minhas pacientes para que possam curtir a folia sem ficarem doentes!! 
Infecção de urina, corrimentos variados e algumas doenças sexualmente transmissíveis são os problemas mais comuns de quem abusa, além de gente querendo dar um jeito para a menstruação não descer no meio da bagunça o que pode se transformar em irregularidade menstrual e até gestação indesejada. Entre outros...
Tem também as grávidas que estão querendo mostrar a barriga na avenida! Mas precisam tomar alguns cuidados especiais!

Roupas frescas, bem arejadas para todo mundo! Evitar tecidos sintéticos! A grávida costuma sentir mais calor por efeitos hormonais, então não esquecer prendedores de cabelo, aproveite para enfeitar muito!! Sapatos devem ser sem saltos fino e firmes ao pé, já que a gestante tem mais risco de cair, porque há mudança do eixo de equilíbrio durante a gravidez. 
Se a folia for ao ar livre, todas devem se proteger do sol: protetor solar, chapéus, bonés, óculos de sol e até sombrinhas de frevo estão valendo! As grávidas podem ter algum mal estar por conta do calor, então é bom evitar aglomerações e ter sempre um plano para uma saída emergencial. 



A gestante precisa descansar sempre que sentir vontade, na medida do possível. E descansar com as pernas elevadas. Evitar ficar muito tempo em pé. Usar calcinhas apropriadas que ajudam na sustentação, pode ser bacana. 
O descanso  é essencial para as grávidas, mas todas as mulheres devem descansar para repor as energias e manter a resistência do organismo. Quando não dormimos uma boa noite de sono e não nos alimentamos bem, nossa imunidade cai e viramos alvo fácil para doenças! Então se a farra for noturna descanse um pouco mais de dia. 
Alimentação ideal: Essa dica também vale para todas, mas as gestantes precisam ficar ainda mais atentas!
 Comer a cada 3 horas com alimentos variados e frescos. Ingerir muitas frutas, saladas, mas sem deixar de ingerir carboidratos - preferindo alimentos de farinhas integrais e também proteínas, preferindo as carnes magras. Deve-se evitar frituras e alimentos crus fora de casa. Vale coisas fáceis de carregar como frutas secas, barrinhas de cereal e/ou de proteínas, frutas como maças por exemplo.

Além de muita água, água de coco, sucos naturais e picolés. Limonadas, e outros sucos de frutas ácidas, são ideais para grávidas que estejam sofrendo com os enjoos. E claro, para as futuras mamães, não consumir bebidas alcoólicas. Nem uma cervejinha! Não há dose segura para o bebê!
Para as grávidas, o ideal é curtir a folia em locais que tenham uma estrutura boa. Mulher grávida precisa sentar de vez em quando, precisa ir ao banheiro muitas vezes e pode se sentir mal com muito calor e aglomeração.
Então, pular Carnaval em clubes parece uma boa opção. Caso opte por Carnaval de rua, a gestante deve se certificar que haverá locais como restaurantes e bares para usar de base para ficar à vontade. Camarotes também podem ser uma boa pedida.
É importante levar a carteirinha de pré-natal, verificar com seu obstetra se tudo bem cair na folia, cartão do plano de saúde (se tiver), usar meias elásticas, de acordo com a orientação médica. E verificar onde fica o posto médico mais próximo em caso de necessidade. Se estiver em outra cidade é importante também saber onde fica o hospital mais próximo.

Para a mulherada que não está grávida, tentar seguir esses cuidados básicos de descanso e alimentação é sempre bom! Para o carnaval de rua, se possível andar com um pacote de lencinho de papel descartável( não é lencinho umidecido, ok?) para usar nos banheiros públicos que frequentemente não tem papel. Não segurar o xixi muito tempo e beber muita água, ainda mais se estiver ingerindo bebidas alcoólicas. Mas sem excessos, ok?
Se for ter relações sexuais, usar camisinha!! Ande com a sua na bolsa, use! não é vergonha usar camisinha! DST não tem cara, qualquer um pode ter!!! Lembrem-se também que sexo oral e sexo anal transmitem doenças igualmente!!!E precisam de preservativo! 

Evitem ficar com roupa molhada muito tempo, isso aumenta a chance de corrimentos por fungos! 

E quem está para menstruar e quer evitar, tente conversar com sua ginecologista para ver se é possível fazer algo assim em cima da hora e se não há contraindicação! Não tome medicação, nem imende cartelas de pílula sem orientação médica, isso pode gerar problemas. 

Desejo a todos um lindo carnaval de folia ou de descanso!!! Aproveitem muito, mas com responsabilidade!







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Estenose do canal do colo do útero

Pessoal,

Dizem que o ano só começa mesmo depois do carnaval, mas para mim esse marco mudou desde que o Pedro entrou para escola. Desde então, o ano começa com o Primeiro Dia de Aula dele. Fico ansiosa, na noite anterior é hora de arrumar a mochilinha nova ( este ano do robô Star Wars), pensar no conteúdo da lancheira, conversar sobre quem será a professora nova, amigos novos, amigos "velhos".

Ele vai para o último ano da educação infantil...como passou rápido!! Achei que teria menos preocupações, que nada, só mudaram...se querem saber, acho que tenho até mais agora que ele está cada dia mais independente! Enfim, ele ficou super bem e o primeiro dia foi um sucesso!!!
Devagar ele vai abrindo os caminhos dele, às vezes recua um pouco, desvia e segue a diante, nem sempre é o caminho mais curto ou o que imaginamos, mas é o dele e o importante é que esteja seguindo feliz! Nossa...essa frase poderia ser sobre a histeroscopia do canal cervical....

Falando em caminhos tortuosos, uma leitora do blog pediu para que eu falasse sobre Estenose do colo do útero. Para quem não sabe, estenose é quando uma parte ou todo o canal cervical está fechado e isso pode impedir ou dificultar o exame de histeroscopia e também pode ser causa de dificuldade para engravidar.

A canal cervical é tipo um túnel que comunica a vagina com a cavidade endometrial (área interna do útero). É através dele que os espermatozóides entram, a menstruação sai.

A estenose ou obstrução pode ser do orifício externo que é o orifício que nós ginecos vemos quando colocamos o espéculo. Já o orifício interno, só vemos durante o exame de histeroscopia. Um dos dois ou ambos podem estar fechados. O canal não é reto, geralmente é torutuoso e pode variar muito o seu trajeto.

A história natural é que esse canal e esses orifícios fiquem cada vez mais fechados com o avanço da idade e a diminuição das taxas hormonais. Isso é pior, geralmente, para mulheres que nunca tiveram partos vaginais. E também para quem precisou realizar curetagens.

Quando essas estenoses acontecem durante a idade reprodutiva, podem atrapalhar as tentantes.
Pode haver estenose mesmo com um fluxo menstrual normal. Pois, por vezes, a estenose é parcial, ou seja, o histeroscópio não passa, mas há algum caminho que o fluxo menstrual encontra para passar.

A estenose se torna um problema quando impede o fluxo menstrual de sair e a menstruação se acumula dentro do útero causando dor. Também quando o canal é tão tortuoso que pode dificultar a subida dos espermatozóides.

Após a menopausa, pode ser um problema caso haja suspeita de doenças na cavidade uterina e o acesso por histeroscopia não seja possível.

A histeroscopia realizada por especialistas bem capacitados resolve a maioria dos casos, apenas alguns precisarão de outras abordagens que deverão ser individualizadas.

Espero ter ajudado!!
Ótima semana a todos!!
Bárbara Murayama

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Desabafo de uma ginecologista

Pessoal, 

Amo minha profissão. Mas sempre tive dificuldade em lidar com a morte ou casos de câncer sem me envolver pessoalmente, talvez por isso eu tenha escolhido uma especialidade que envolve o início da vida e mesmo dentro da minha subespecialidade em ginecologia, meu grande foco está em doenças benignas como pólipos e a endometriose. 

Mas quando  se faz consultório e se lidera uma equipe de Ginecologia de um grande hospital é preciso lidar com essas situações frequentemente. Faço isso com todo amor que tenho no coração,  porque se eu me descobrisse com câncer hoje, acho que mais do que um médico extremamente técnico ( isso seria o básico! É nossa obrigação como médicos oferecer as melhores práticas!), eu gostaria que a equipe médica me tratasse como gente, gente digna, sabe? Que me acolhessem, me olhassem no olho, talvez me abraçassem se eu estivesse sozinha...porque eu estaria com medo, porque sou mãe e meu filho ainda precisa muito de mim, porque sou esposa, porque sou filha e não é justo filhos irem antes dos pais, porque tenho ainda muitos sonhos, porque estou ainda na casa dos 30 e tantos e essa idade não é idade de se ter câncer, aliás nunca deveria ser hora de ter câncer.  

Então, hoje estou aqui só para desabafar... para confessar que mesmo sendo médica, entendendo um monte sobre doenças e tal, sou igual a todo mundo e fico com raiva do Universo quando isso acontece e acontece muito mais do que gostaríamos. Hoje estou triste por conta de duas desses mulheres. Uma com câncer de mama e outra com  câncer de colo do útero, mulheres na casa dos 30, dessas como eu, filhas, talvez mães, com sonhos e uma vida inteira pela frente. 

De acordo com o site do Inca, as estimativas de novos casos em 2106 no Brasil para colo de útero são 16.340 e de mama 57.960. Muito triste, né? 

Muitos desses serão tratados e curados graças aos avanços da medicina e a tantos ótimos profissionais pelo Brasil!! Torço por cada uma, hoje especialmente por essas minhas duas queridas! 

Desculpem já começar o ano com assunto triste, mas início de ano é tempo de renovação, de colocar a casa em ordem. Por isso, só queria aproveitar para pedir que você faça seu preventivo, não deixe de colher seu exame de Papanicolau uma vez ao ano, ok?

E se já tiver 40 anos ou mais faça a mamografia. Casos de câncer de mama antes dessa idade são infrequentes. Se você for a consulta de rotina anualmente e fizer o auto-exame todo mês já estará fazendo sua parte!! 

Grande abraço!

Bárbara A. Murayama



segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Como passar pelo verão sem candidíase?



Pessoal, o ano novo chegou e para o primeiro post do ano....olha o Pedrinho aí todo protegido do Sol com camiseta e boné com fator de proteção!...

 um assunto que vem com o verão e muitas idas a praias, piscina e biquini molhado! Também mais namoro e mais sexo - com camisinha ok?! Mas sem querer ser estraga prazeres, para muitas mulheres essa combinação acaba em .... candidíase!! 

Os estudos tem dificuldade de contabilizar, mas alguns deles apontam que 5 em cada 10 mulheres terão pelo menos 1 episódio de candidíase durante a vida. 

A candidíase vaginal é um problema comum em mulheres, especialmente nesta época de verão, essa é uma das semanas do ano que eu provavelmente mais recebo pacientes com esse problema. Algumas mães inclusive trazem suas filhotas com coceira na "vava"como chama meu filho, ou na "periquita"apelido dado pela minha amiga Renata, mãe da Mari, com medo que possam estar com candidíase. 

Os sintomas mais comuns são:

 Coceira "infernal" - só quem já teve sabe, né?- ou irritação da vulva - que é a parte interna dos nossos órgãos genitias e em torno da abertura vaginal.
Dor ou ardor para urinar ( ah, infecção de urina também é comum nesta época!!!)
 Dor ou incômodo durante as relações sexuais
 Inchaço, vermelhidão e até rachaduras da mucosa da vulva podem acontecer
Algumas mulheres não têm corrimento vaginal anormal. Outros têm corrimento branco leitoso, com aspecto de coalhada, podendo ser amarelado ou esverdeado, geralmente sem odor fétido.

Geralmente ocorrem como episódios pouco frequentes, mas podem reaparecer com frequência e pode causar sintomas persistentes  e se tornar até candidíase crônica, se não tratada adequadamente.

Essas infecções causadas por fungos ocorrem principalmente em mulheres que menstruam, isso porque a vagina se torna mais ácida próximo ao período menstrual e essa acidez facilita a proliferação dos fungos.
São menos comuns em mulheres pós menopausa que não usam a terapia hormonal contendo estrogênio e são raros em meninas que ainda não tenham começado a menstruar.  Para as mães  de menina o principal cuidado deve ser a higiene, sem excessos, com água e sabonete próprio para idade. Não deixar de biquininho molhado e com areia por muito tempo.   
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O fungo que causa infecções fúngicas (Candida albicans é o principal tipo) normalmente vive no trato gastrointestinal e, por vezes, na vagina. Normalmente, Candida não causa sintomas. No entanto, quando há mudanças na flora normal podem se proliferam.

 Essas mudanças são causadas por medicamentos, lesões ou estresse para o sistema de defesa- que pode ser apenas uma mudança de ambiente, um pouco de álcool a mais, alimentação desregrada, noites mal dormidas, pouca ingestão de água - tudo aquilo que a gente costuma fazer nas festas de final de ano e no verão, né?

Na maioria das mulheres que chega ao consultório com candidíase, não há nenhum problema de saúde subjacente que leva a uma infecção por fungos. Mas existem vários fatores de risco que podem aumentar as chances de desenvolver uma infecção, incluindo:

Antibióticos - A maioria dos antibióticos matam uma grande variedade de bactérias, incluindo aquelas que vivem normalmente na vagina. Estas bactérias proteger a vagina do super crescimento de fungos. Algumas mulheres são propensas a infecções fúngicas enquanto tomam antibióticos.

Os contraceptivos hormonais também podem facilitar. 

dispositivos contraceptivos - dispositivos intra-uterinos (DIU) pode aumentar o risco de infecções fúngicas. Os espermicidas não costumam causar infecções fúngicas, embora possam causar  irritação vaginal ou vulvar.

Sistema imunológico enfraquecido - Infecções fúngicas são mais comuns em pessoas que têm um sistema imunológico enfraquecido devido ao HIV ou uso de certos medicamentos (esteróides, quimioterapia, medicamentos pós-transplante de órgãos).

Gravidez - Secreção vaginal se torna mais perceptível durante a gravidez, embora infecção por fungos nem sempre é a causa.

Diabetes - Mulheres com diabetes estão em maior risco para infecções fúngicas, especialmente se os níveis de açúcar no sangue são frequentemente mais elevados do que o normal.


A atividade sexual - infecções fúngicas vaginais não são uma infecção sexualmente transmissível. Eles podem ocorrer em mulheres que nunca foram sexualmente ativos, mas são mais comuns em mulheres que são sexualmente ativos.


O diagnóstico é basicamente clínico. Durante o exame físico a ginecologista consegue identificar o corrimento e outras alterações. E a partir daí propor o tratamento que pode variar entre comprimidos, cremes vaginais, óvulos vaginais, etc. 

Para se prevenir, manter a resistência do organismo boa é o melhor caminho! Se alimentando a cada 3 horas, com alimentos saudáveis e variados, evitando frituras, excesso de doces. Buscando boas noites de sono, atividade física regular - se não começou a se exercitar, ainda que tal aproveitar o Ano Novo?! Além de evitar beber em excesso. E usar preservativo!

Quanto ao biquini: evite ficar com a calcinha molhada, leve várias calcinhas de biquini e vá trocando ao longo do dia!
 E se qualquer sintoma aparecer, agende com sua ginecologista para uma avaliação!!

Desejo a todos um Ano Novo de Muita saúde e paz!!! 

Abraços!

Bárbara Murayama