Gergin Ginecologia

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Adenomiose e é carnaval!!!

Pessoal, 

Preparados para carnaval?

Carnaval é tempo de festa, mas nem por isso precisa perder toda a noção e voltar doente ou machucada, né?

Para quem vai para a folia não esqueça de se hidratar, alimentar bem e usar preservativo!!!

 As doenças sexualmente transmissíveis estão a todo vapor! Melhor previnir!! HIV, sífilis, herpes, HPV, gonorréia, clamídia, tricomonas, hepatites, entre outras....e não pense que acontecem só com pessoas de classes socio-culturais desfavorecidas, porque acontecem com qualquer um que se exponha. Independente de raça, credo, orientação sexual. Sexo é uma delícia e com responsabilidade pode ficar melhor ainda!! Use camisinha inclusive para sexo oral, ok?

Aos rapazes, respeito é bom e as mulheres gostam! Nada de forçar beijo e muito menos sexo! Sexo que a mulher não consentiu é estupro sim, mesmo se for sua esposa, namorada ou "peguete"! Então vamos procurar nos relacionar com quem quer se relacionar com gente! E meninas, caso sofram abuso, procurem ajuda médica imediatamente para que as prevenções possam ser feitas em tempo hábil. E denunciem também!!! Não é culpa sua, independente da sua roupa ou comportamento! 

Mas seguindo o cronograma do blog, hoje está previsto escrever sobre esta doença que pode ter como um dos sintomas sangramento uterino anormal...Adenomiose!! Vamos lá....


O que é a adenomiose uterina? 


 É uma doença que causa períodos menstruais com maior fluxo de sangue ​​e dolorosos nas mulheres. Em pacientes com adenomiose uterina, o útero costuma ser maior que o normal e o miométrio(camada muscular do útero) costuma aparecer alterado em exames de ultrassonografia e ressonância. Isso acontece porque o tecido parecido com o que que normalmente fica dentro do útero e se descama durante a menstruação, o endométrio, começa a crescer dentro das paredes do útero de forma errada.



Adenomiose frequentemente acontece junto com outros problemas que afetam as mulheres, especialmente endometriose e miomas. 

Por que é importante falar sobre adenomiose?

A frequencia de adenomiose nas mulheres não foi determinada com precisão, uma vez que o diagnóstico só pode ser feito com certeza por exame microscópico do útero, tipicamente após histerectomia. Mas estima-se que afete cerca de  20% das mulheres, em um outro estudo esse achado chegou a 65%. 

 Até recentemente, a adenomiose era apenas diagnosticada no momento da histerectomia. A maioria dos estudos sugere que as mulheres submetidas a histerectomia( retirada do útero) para a adenomiose estão nos últimos anos antes da menopausa. No entanto, isso resulta em uma falta de informações sobre os estágios iniciais da doença. Estudos que utilizam imagens pélvicas, em vez de histerectomia, para o diagnóstico sugerem que a adenomiose pode ser encontrada inclusive em adolescentes.

Além disso, o fato de que a adenomiose coexiste com outras doenças uterinas, principalmente miomas uterinos e endometriose, contribui para as lacunas na compreensão desta doença. 

Quais as causas da doença? Como ela se forma?

 As causas exatas da adenomiose não são conhecidas.

 As principais teorias são que ela se desenvolve a partir de infiltração do endométrio (camada interna do útero) no miométrio (camada muscular, onde acontece a doença)  ou que a pessoa já nasça com focos de endométrio no meio do miométrio, o que seria um defeito no desenvolvimento do embrião. 
Também há uma linha de pesquisa relacionando processos biomoleculares diferentes no tecido doente em relação ao tecido endometrial normal.

Os hormônios estrogênio e progesterona parecem desempenhar um papel na formação da adenomiose, como ocorre em outras doenças ginecológicas Esta conclusão é principalmente pensada a partir da resposta positiva dos sintomas aos tratamentos hormonais. 

Finalmente, outras teorias sugerem que hormônios como a prolactina e hormônio folículo estimulante (FSH), que têm efeitos uterinos diretos, também podem ter papéis na formação desta doença, sem nada ainda muito conclusivo. 

Ou seja, há ainda muito a ser estudado para uma definição precisa das causas. 


Quais são os sintomas da adenomiose?

● Aumento do fluxo menstrual tanto em quantidade de sangue quanto em dias de sangramento.
● Períodos dolorosos e esta dor pode acontecer também fora do período menstrual, em casos mais graves.
● Dificuldade para engravidar.


Quando procurar a ginecologista? 

Devemos ir pelo menos uma vez ao ano a ginecologista para avaliação de rotina desde meninas antes mesmo da primeira menstruação e a qualquer momento se apresentar menstruação com dores e mudança no padrão menstrual, ou seja, aumento de quantidade e duração. Lembram da balança do último post?



Quais exames são necessários? 

Nenhum dos exames que existem hoje pode mostrar com certeza se você tem adenomiose. Mesmo assim, existem alguns que podem ajudar a ginecologista a descobrir o que pode estar causando seus sintomas.Hoje, cada dia mais, o Ultrassom transvaginal especialmente com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve com preparos específicos têm nos ajudado a suspeitar fortemente e iniciar controle dos sintomas, sem necessidade de cirurgia alguma para diagnóstico.

 Mas nenhum exame substitui a consulta médica, a conversa sobre seus sintomas e o exame físico ginecológico completo. A partir disso, a ginecologista irá pensar em qual o melhor exame que geralmente será o ultrassom transvaginal e depois talvez uma ressonância magnética.



Como é o tratamento da adenomiose? 

É preciso pensar no desejo ou não de ter filhos dessa mulher e quais os sintomas que a estão incomodando. O único tratamento comprovado e defintivo para adenomiose é a cirurgia para remover o útero, chamado de histerectomia, que pode ser realizada via vaginal ou via abdominal através de técnicas variadas: robótica, videolaparoscopia convencional ou cirurgia aberta comum. 

Mas existem outras opções de tratamento para controle de sintomas e que tentam evitar que a doença piore, pensando em reduzir o sangramento intenso e a dor. Caso a mulher queira engravidar, é preciso investigar profundamente o casal e avaliar qual o melhor tratamento.

Dentre os tratamentos para controle dos sintomas da doença estão:

DIU medicado - Um tipo de DIU, que libera levonogestrel, hormônio da família das progesteronas, (O DIU deve ser colocado dentro do útero pela ginecologista). Tem duração de 5 anos. É uma medicação e como tal pode provocar efeitos colaterais como sangramento de escape, discreto inchaço, acne, entre outros. Portanto, é muito importante discutir tudo isso com a ginecologista antes de decidir pela colocação.

Ablação endometrial - É uma cirurgia por histeroscopia para retirada da camada interna do útero, o endométrio. Esse procedimento tem por objetivo diminuir o sangramento. Só pode ser realizado por médico histeroscopista e em mulheres que não querem mais engravidar.

Algumas vezes, podemos escolher associar o DIU medicado a ablação endometrial.


● Medicamentos analgésicos podem fazer parte do cuidado dessas mulheres para melhorar a qualidade de vida delas.
●  Anticoncepcionais e outras medicações hormonais ajudam no controle da dor, sangramento e da doença. Idealmente buscamos sempre o bloqueio da menstruação. As pílulas ou qualquer outra medicação hormonal devem ser prescritas exclusivamente pela ginecologista, nunca use medicação por conta própria!!

Hábitos de vida saudáveis sempre irão fazer parte das orientações a essas e qualquer outra mulher durante a consulta. Então, manter ou iniciar atividade física regular, hábitos alimentares saudáveis. Além de não fumar, praticar atividades que ajudem a gerenciar estresse. 

Espero ter conseguido explicar um pouco sobre essa doença ainda tão desconhecida, mas que acomete muitas mulheres e prejudica muito a qualidade de vida delas!

Um excelente carnaval de folia ou descanso a todos!!!

Grande abraço!

Bárbara Murayama







terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Informe sobre Suspensão do dispositivo Essure

Pessoal, 

Passando para um informe. Ontem no final do dia a ANVISA publicou esta nota, avisando a todos da retirada do dispositivo Essure do mercado. 


Desde sua liberação aqui no Brasil, eu sou uma das médicas ginecologistas especialistas em histeroscopia (técnica pela qual este dispositivo é colocado) mais entusiasmadas com o método. Desde a primeira vez que li um estudo sobre ele, me interessei e corri atrás de aprender mais sempre me baseando em estudos científicos de qualidade sobre o tema. 

Sempre vi muitas pacientes que haviam feito laqueadura convencional queixarem de sangramento irregular, mesmo esse sintoma nunca tendo sido comprovado como relacionado a laqueadura em estudos científicos. A laqueadura histeroscópica poderia ser a solução para isso. 

Também me encantou a possibilidade de uma laqueadura minimamente invasiva e de rápida recuperação, já que a maioria das mulheres que optam por método definitivo têm filhos e ficar de repouso pós cirúrgico é complicado. 

Realizei meu treinamento da técnica em um renomado Serviço médico da Espanha, contei sobre isso aqui. E por toda essa minha história hoje muitos colegas ginecologistas estão me escrevendo, perguntando minha opinião sobre essa suspensão. Por isso, achei importante escrever algo aqui. 

Primeiro, não tenho nenhum conflito de interesse com a empresa fabricante nem fornecedora. 
É importante que isso fique claro. 

Como funcionam os processos? Qualquer medicamento, dispositivo, material cirúrgico, etc...antes de ser liberado para uso ou prescrição médica é avaliado por órgãos competentes, no Brasil este órgão é a ANVISA. Estudos continuam sendo feitos com esses produtos após serem liberados, para acompanhar essas pacientes e entender melhor como eles agem, porque a qualquer nova situação, o posicionamento pode ser mudado.

O produto foi liberado pela Anvisa anos atrás e vem sendo utilizado e resolvendo a vida de muitas mulheres, muitas famílias no Brasil tanto no meio privado quanto no meio público. Muitos multirões pelo Brasil aconteceram e diminuíram as filas de espera para uma laqueadura convencional.

Ano passado, todos os ginecologistas receberam da empresa fabricante uma carta que falava sobre casos que estavam sendo investigados em outros países de mulheres que estavam apresentando alguns sintomas que poderiam ou não ser relacionados ao dispositivo. Sugerindo que entrássemos em contato com nossas pacientes e notificássemos qualquer sintoma. 
Entramos em contato com nossas pacientes, para avaliar se estava tudo bem e mantê-las informadas. 



Agora com esse posicionamento da ANVISA, baseado em novos estudos, cabe a nós ginecologistas suspendermos procedimentos futuros. Conversar com nossas pacientes que já fizeram o procedimento, especialmente para tranquilizá-las e nos colocarmos a disposição de qualquer questionamento ou queixa. 


Esse tipo de supensão, reavaliação pode acontecer a qualquer dispositivo, medicação ou produto médico a qualquer tempo. Que bom que os órgãos responsáveis estão fazendo seu trabalho. Porque o nosso trabalho como médicos depende disso. 

Segurança sempre em primeiro lugar!!!

A medicina, o cuidado com o ser humano está longe de ser uma ciência exata, apesar de exigir precisão todo o tempo. Esse é nosso desafio diário. 

Faz parte da nossa profissão, especialmente quando trabalhamos em grandes centros e queremos oferecer o que há de mais novo e mais moderno para nossos pacientes, que tenhamos que reavaliar condutas, tratamentos de tempos em tempos. Isso acontece o tempo todo. Por isso estudamos tanto diariamente, estamos sempre indo a congressos, conversando com colegas, trocando informações e experiências. Porque a medicina muda todo dia, novas tecnologias são descobertas, novos mecanismos do corpo humano são descobertos e fazem toda uma lógica para uma determinada doença mudar. Todo médico que se mantém atualizado vê coisas assim acontecerem algumas vezes ao longo da vida médica. Quem lê artigos científicos e vai a congressos está habituado a ver em conclusões de textos e apresentações a seguinte frase: "precisamos mais estudos sobre isso". E este é um desses casos, precisamos mais estudos. 

Então, agora é nos mantermos atentos, aguardar novos posicionamentos dos órgãos competentes, também dos serviços que publicam sobre o tema e acolher nossas pacientes de forma sincera.  

Parte muito importante do trabalho de um médico é saber gerenciar possíveis complicações relacionadas as doenças que trata e aos tratamentos que propõe, com conhecimento técnico, calma e respeito a paciente. 

Felizmente eu não tive nenhuma complicação relacionada a esta técnica até o momento, mas se tiver, cuidarei da paciente da melhor maneira possível. Esse é meu trabalho. 

E em maio haverá o Congresso Mundial de Histeroscopia, em Barcelona, pretendo estar lá e com certeza esse assunto será abordado. Contarei tudo aqui. 

Abraços
Bárbara

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sangramento uterino anormal - Introdução e Pólipos

Pessoal,


Como prometido voltei para escrever sobre sangramento aumentado!
O dia começou bem lá em casa, com Pedrinho se mostrando um rapazinho muito responsável e espertinho...coloquei lá em meu Instagram @barbara.murayama, então estou super animada para o dia de hoje 😀 !!

   Para falar de sangramento aumentado, vou mostrar uma figura clássica para nós ginecologistas que explica o ciclo menstrual de todos os pontos de vista... hormônios envolvidos, evolução do óvulo,  do endométrio - que é a camada interna do útero...Esse é o ciclo normal, de uma mulher sem anticoncepcional, na fase reprodutiva - menacme, ou seja, entre a primeira e última menstruação da sua vida. 
   Uso muito essa figura durante as consultas aqui na Clínica Gergin Ginecologia, para explicar as minhas pacientes como nosso corpo trabalha. Paciente bem orientada é mais colaborativa, acredito muito nisso!



  É muito difícil para muitas mulheres quantificar sua própria menstruação. Sempre falamos em padrão individual, mas essa tabela mostra um padrão geral aproximado de normalidade para nos basearmos quando vamos avaliar uma mulher que relata sangramento aumentado. 

  Oriento sempre minhas pacientes a anotarem o primeiro dia da menstrual, que é o primeiro dia do ciclo. E trazerem essa informação para consulta, além de se observar a cada mês para entender qual é seu padrão menstrual de dias, de fluxo, de intervalo. 
  
Conhecer nosso próprio corpo é essencial para a prevenção e diagnóstico precoce de problemas em geral. 


Mas afinal o que é considerado sangramento anormal?
Qualquer desequilíbrio dessa balança.

Pode acontecer em qualquer fase da vida da mulher. Desde as mais mocinhas...Parênteses: Amei o look da Bruna do baile Vogue de ontem!
...até as mais poderosas, sim porque dá para ser linda, maravilhosa e saudável em qualquer idade, está aí o exemplo. Arrasou Donata Meirelles!!




Alguns dados para que entendam a importância do problema:

- De acordo com um estudo brasileiro, 40% das consultas ginecológicas são por queixa de sangramento uterino anormal. 
- Cerca de 25 % dos atendimentos do pronto socorro de ginecologia que eu coordeno são por essa queixa.

         Ou seja, a grande importância é o impacto na qualidade de vida, produtividade da mulher, mas  também pensando como gestora e cidadã o aumento da utilização serviços saúde, precisa ser levado em consideração.


     Então, para que qualquer ginecologista do mundo possa falar a mesma língua, foi desenvolvida essa classificação pela Federação internacional de Ginecologia e Obstetrícia a FIGO. 




Como funciona? 

 Juntando as informações da paciente em questão passadas durante a consulta médica, exame físico, exames complementares, vamos definir a causa do sangramento. 
 Avaliamos se há alguma causa estrutural como pólipos, miomas, adenomiose ou até doenças pré- malignas do útero (hiperplasias) ou malignas do útero ou colo do útero. Se nada for encontrado, partiremos para avaliar outras doenças como problemas da coagulação, disfunções dos ovários, outros problemas endometriais, iatrogênicas que inclui sangramentos por uso de hormônios por exemplo, entre outras. 

Vamos falar um pouco de cada um desses problemas?


Pólipos


São projeção de tecido endometrial ou endocervical que podem se formar dentro do útero ou no canal endocervical.
A causa não está 100% definida, sabemos que há relação com estimulação hormonal natural ou por uso de Terapia Hormonal. Também predisposição genética, entre outros. 

A maioria deles é  benigno. Mais de 95%. 🙌

A maioria dos pólipos não causa sintomas, sendo diagnosticados em exames de rotina. 

A grande preocupação é quando eles causam sangramento anormal e acontecem em mulheres com risco aumentado para câncer de endométrio, ou seja, mulheres ao redor da menopausa, que estejam obesas, portadores de pressão alta, diabetes, entre outros. 

Após o ultrassom transvaginal ou pélvico por via abdominal em mulheres que não têm relações sexuais, o exame de Histeroscopia que visualiza o útero por dentro com uma câmera, é o melhor jeito de fazer o diagnóstico. E esse exame de histeroscopia também pode ser realizado em mulheres virgens, ok? Pois o aparelho é muito fininho e passa pelo hímen sem rompê-lo. 

A maioria dos pólipos deve ser retirado, para termos a biópsia e a certeza de não ser um câncer. 

 O tratamento é cirúrgico, o procedimento para isso é a histeroscopia cirúrgica. 

É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, de rápida recuperação e baixo risco. 

Quem tem ou teve um pólipo tem mais chances de ter  outro.

Prevenção envolve tratamento da obesidade, ou seja, reeducação alimentar para perda de peso, atividade física regular com profissional da área, controle do diabetes e pressão alta. 
 Manter rotina ginecológica em dia,visitando regularmente sua ginecologista é essencial para diagnóstico precoce de pólipos. 

No próximo post adenomiose!!!

Uma ótima sexta- feira a todos! E um final de semana de luz!!



Bárbara Murayama 













sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Irregularidade menstrual

Olá pessoal,

Ainda estou devagar com os posts, né? Desculpem!!Costumo escrever à noite, depois que o Pedro dorme, mas com o início das aulas, que agora começam mais cedo😴, ainda não acertei 100% a rotina de casa. Mas logo logo tudo estará caminhando naturalmente e minha rotina de posts voltará ao normal.
🤓 💻

Pedro já está no Ensino Fundamental😬, tantas novidades que não sei se estava preparada emocionalmente! Acho que mães nunca estão preparadas e ao mesmo tempo sempre estão, confuso? Bem vindo ao mundo materno!!! Eu gostaria que ele fosse bebê para sempre em alguns momentos 🙈  e ao mesmo tempo, fico ansiosa para que aprenda novas coisas, crie autonomia...

E nessa correria da maioria das meninas e mulheres que estudam muito, trabalham fora ou não, cuidam de casa com ou sem filhos ou moram sozinhas ou com a família... é gerado um estresse que pode inclusive alterar a menstruação. Pensando nisso e levando em consideração algumas sugestões de temas que recebemos por mensagens via redes sociais, resolvi escrever sobre esse tema.

Obrigada a todos que tem escrito enviando sugestões de temas!!! Tentarei contemplar todos ao longo do ano!💐


Mas afinal, o que é menstruação ou sangramento irregular? 🤔

A irregularidade pode ser para mais ou para menos. Então é muito importante que toda mulher conheça o seu próprio ciclo menstrual. 📆

Saber de quanto em quanto tempo a menstruação vem, quantos dias costuma durar, se a quantidade é sempre mais ou menos a mesma.

Para quando houver qualquer variação neste padrão pessoal, ela procure sua ginecologista.
Lembrando que o primeiro dia de sangramento é considerado o primeiro dia do ciclo, essa data é muito importante para nós ginecologistas.

A principal causa de atraso menstrual é uma gestação, mas existem diversos problemas de saúde e hábitos que podem influenciar a menstruação.

Vamos falar um pouco deles aqui hoje?


● Gravidez - sim! Essa é sempre nossa primeira hipótese. Então se seu fluxo estiver atrasado, não estranhe se sua médica solicitar um teste.

● Síndromes hiperandrogênicas! A mais conhecida delas e mais comum é a síndrome dos ovários policísticos. Em mulheres com estas condição, o organismo produz hormônio masculino em excesso  (que geralmente não é detectável em exames- o diagnóstico é basicamente pelo que a paciente nos conta).
Isso pode bagunçar os períodos menstruais de uma mulher porque provoca ciclos anovulatórios ( ou seja, a mulher não ovula normalmente todos os meses), além de causar excesso de pêlos faciais e em outras áreas, também acne e problemas de peso. A síndrome dos ovários policísticos é a causa mais comum de irregularidade menstrual em quem não está grávida.

● Estar muito magro ou ter muito pouca gordura corporal! Essa situação é bastante comum hoje, por conta da busca por padrões de beleza estabelecidos👙. Então, é importante cuidar do corpo, mas se isso for exagerado, pode trazer problemas. A saúde está em uma alimentação balanceada, com prática de atividade física regularmente. Sem exageros!

● Exercício demais!🏋🏾 🏊🏾 🚴🏽 🏃🏻 Também o exercício físico em excesso pode alterar a eixo hormonal e provocar atrasos menstruais. É importante que mulheres que praticam esporte de alta performance mesmo que de forma amadora, tenham acompanhamento médico ginecológico, além de educadores físicos, entre outros profissionais. Para que a prática seja saudável.

● Hiperprolactina - Prolactina é uma hormônio produzido na "glândula pituitária", que é um pequeno órgão na base do cérebro. A prolactina é conhecida como hormônio do leite, sua função está relacionada ao aleitamento materno, mas pode aumentar com uso de algumas medicações,inclusive alguns hormônios comuns em fórmulas para ganhar massa muscular💪🏽! Fiquem de olho com o que tomam👀 ! Também por estresse, entre outras situações.  Pode ou não sair leite pelas mamas. Se estiver saindo leite, não fique apertando, isso estimula e piora a situação! Procure sua gineco!

● Menopausa precoce - Menopausa é o momento na vida de uma mulher quando ela naturalmente pára de menstruar. A menopausa geralmente ocorre entre as idades de 45 e 55. Mas em algumas mulheres, a menopausa chega mais cedo - antes dos 40 anos. Isso precisa ser acompanhado e cuidado de perto pela sua ginecologista.




  • Outros problemas de saúde não ginecológicos também podem ser a causa da alteração menstrual, como alterações da glândula tireóide. Portanto é muito importante sempre procurar sua ginecologista e informar seu histórico médico completo durante a consulta. 


O tratamento depende da causa da irregularidade menstrual e também se a mulher quer engravidar naquele momento ou não. Então, após uma boa conversa sobre sintomas, antecedentes, realizaremos exame físico e talvez sejam necessários exames complementares.

●Independente do tratamento indicado, você pode reduzir suas chances de irregularidade menstrual comendo bem e se mantendo em um peso saudável. Praticando atividade física regular sob acompanhamento profissional.

A qualquer alteração da menstruação, agende uma consulta com sua ginecologista!

Mas e quando a menstruação vem a mais? Semana que vem falaremos disso!!

Viram que aprendi a usar emojis no texto?Gostaram?😉

Um lindo final de semana a todos, cheio de luz e momentos felizes com as pessoas que amamos!!


Foto das férias com meu príncipe
"Que a felicidade não dependa do tempo nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos."
Carlos Drummond de Andrade.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Mensagem de Boas Festas

Pessoal,


Mais um ano. E foi tenso para todo mundo, foi difícil para o nosso país, para o mundo. Mas é tempo de agradecer por tudo de bom que aconteceu! E se olharmos para traz, para cada momento que passamos sempre encontraremos algo a agradecer, nem que seja o fato de estarmos vivos com a possibilidade de novas metas e sonhos para um novo ano que vai começar ou um ensinamento que fica depois de um problema.

Hoje estou passando para agradecer o carinho de todos e todas que acompanham meu blog, as que são minhas pacientes, as que não são também! E desejar um Feliz Natal de paz, união, gratidão e perdão a todos vocês e suas famílias, independente da sua crença, agradecer e desejar o bem faz bem para saúde!!

Desejo um 2017 com renovação de energias para muitas realizações pessoais e coletivas pelo Brasil e pelo mundo!



Grande abraço!!
Nos vemos em 2017!

Bárbara Murayama


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Perda de peso pode melhorar fertilidade

Pessoal,

Acredito que estejamos todos muito tristes com a tragédia que aconteceu esta semana com o avião da Chapecoense. Ficaremos de luto e abalados por muito tempo. Meus sentimentos a todos os familiares! E como foi linda a homenagem dos Colombianos! Gracias Colombia!


Mas a vida segue. Hoje o post será sem foto, sem cores.

Escolhi falar sobre um tema relacionado a vida, a fertilidade, baseada em um artigo que li esses dias, mas que estava na lista de artigos a serem lidos há um tempo.  

A relação da obesidade e a fertilidade. 

Em uma consulta de rotina ginecológica sempre verifico peso e altura da mulher, também pergunto sobre sua alimentacão, prática de atividade física entre outros hábitos. Isso é importante para que seja possível orientar e estimular mulheres a terem hábitos mais saudáveis. Essa mudança de hábitos terá influência positiva em diversos aspectos da vida. 

Em posse do peso e altura calculo o Índice de massa corpórea:

IMC =  Peso
            Altura²

É sabido que a obesidade (estar com índice de massa corporal - IMC- acima de 30) está associada a um aumento dos riscos de infertilidade e aumento de complicações em de uma gravidez. 

Por esta razão, as mulheres obesas são encorajadas a perder peso antes de tentar engravidar e sempre que vem em consultas de rotina procuro tocar neste assunto, sempre com palavras de incentivo e motivação, porque sei o quanto é difícil mudar hábitos, especialmente quando temos uma rotina corrida. 

 No entanto, o real impacto de programas de intervenção de estilo de vida nesta população não tinham sido avaliados por um grande estudo científico até este momento. Recentemente, um estudo publicado no New England, um dos jornais médicos mais importantes, selecionou aleatoriamente 577 mulheres inférteis (mais de 1 ano tentando engravidar sem sucesso) com IMC ≥ 29 kg / m2 e as colocou em um programa de perda de peso estruturado de seis meses antes do tratamento de infertilidade. 

O grupo de intervenção, ou seja que passou pelo programa de mudança de estilo de vida, obteve maior taxa de gravidez natural (26 versus 16%). 
Outros dados sobre o estudo: 
- Apenas 38% das mulheres atingiram a meta de perda de peso (5 a 10% do peso corporal original) 
- 22% abandonaram o programa, o que limitou a interpretação dos dados. 

De qualquer maneira, mesmo sendo preciso mais estudos a cerca do assunto. Acredito que vale a pena continuar  a aconselhar a perda de peso, mudança de hábitos de saúde, prática de atividade física regular e alimentação saudável para mulheres obesas ou que estejam acima do peso e até as magras mas que não tem bons hábitos, porque é uma intervenção barata, de baixo risco para melhorar a probabilidade de gravidez natural e tem benefícios a longo prazo para a saúde global. 

Esta é a referência do estudo: 
Randomized Trial of a Lifestyle Program in Obese Infertile Women.
N Engl J Med. 2016 May;374(20):1942-1953

Grande abraço

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Herpes Genital

Pessoal, 

Hoje passo para escrever sobre uma doença que, infelizmente, não passo uma única semana sem ver: herpes genital!

Mas antes de começar quero dizer que hoje é dia da mulher da minha vida! Minha mãe! Feliz aniversário para vovó do Pedro, dona Maria Altair! Te desejo mais muitos anos de saúde para curtir seu neto e tocar violão! Te amo!




Agora sim, voltando ao tema...

O que é?
Herpes genital é uma doença sexualmente transmissível comum que é causada pelo vírus herpes simplex. 

 O herpes genital é causado pela infecção com o vírus do herpes simples, geralmente o tipo 2. Também pode ser causada pelo vírus herpes simples tipo 1, que é a causa mais comum do herpes oral. 

Depois de ficar infectada, a maioria das pessoas têm episódios recorrentes de úlceras genitais durante vários anos. Embora a infecção possa permanecer no corpo por anos, os surtos tornam-se cada vez menos comuns com o tempo, em pessoas que não tem doenças que prejudicam sua imunidade. 

Quando se está com lesões não se deve ter relações e sempre que é diagnosticada uma DST, é importante que se conte aos seus parceiros sexuais. O herpes genital pode ser transmitido mesmo quando não há úlceras visíveis ou bolhas. Por isso é tão importante usar preservativo em todas as relações sexuais. 

Vejo muitas mulheres que estavam usando preservativos enquanto não estavam namorando e tendo sexo casual e que ao entrarem em um novo relacionamento, em pouco tempo, param de usar preservativo com o novo parceiro ou parceira e é neste momento que podem se contaminar com herpes e outras DSTs. Por isso, quem é minha paciente sabe, eu pego no pé para que usem preservativo!!! 

E como descubro?

Ser diagnosticado com herpes genital ou qualquer DST pode ser uma experiência emocional angustiante, e é importante procurar logo serviço médico para o diagnóstico, controle e orientações.


O diagnóstico é basicamente clínico, as lesões costumam ser bem características. Pode ser confirmado por exame de sangue em alguns casos. 

O que posso sentir?
Os sintomas de herpes genital podem variar se for a primeira vez ou se for um episódio recorrente. Algumas pessoas são infectadas mas nunca terão sintomas. 

Episódio inicial - Para a maioria dos indivíduos, o primeiro surto de herpes é o mais grave, e os sintomas tendem a ser mais intensos em mulheres do que em homens. O primeiro surto geralmente ocorre dentro de algumas semanas após a infecção com o vírus. Os sintomas tendem a resolver dentro de no máximo duas a três semanas.

Os sinais de um episódio inicial de herpes genital incluem bolhas múltiplas na área genital, feridas, úlceras. Costuma ser bastante doloroso, podendo até doer para urinar e sentar. Para as mulheres, os locais mais frequentemente envolvidos incluem a vagina, vulva, nádegas, ânus e coxas.

Após o surto inicial, o vírus "viaja" para um feixe de nervos na base da coluna vertebral, onde permanece inativo por um período de tempo. Isso é chamado de fase latente. Não há sintomas durante esta fase.

Episódios recorrentes - Muitas pessoas experimentam episódios recorrentes de herpes genital, que ocorrem quando o vírus "viaja" através dos nervos para a superfície da pele, causando novo surto. Estes episódios recorrentes tendem a ser mais leves do que o surto inicial. 

Lembrando que é muito importante não ter relações durante os surtos!!! Além de transmitir para o parceiro ou parceira, pode agravar o seu caso se a outra pessoa também tiver a doença e há risco aumentado de adquirir outras doenças sexualmente transmissíveis se a pessoa for portadora, como HIV, hepatite B ou C, Sífilis entre outras. 

As úlceras podem desenvolver-se na mesma área que as do primeiro foco, ou podem aparecer em outros lugares. É possível desenvolver lesões em áreas onde não há contato direto. Por exemplo, é possível ter lesões ao redor do ânus sem ter tido sexo anal.



Cerca de metade das pessoas com um surto recorrente sente sintomas leves antes do aparecimento das lesões. Estes são chamados sintomas prodrômicos, e podem incluir coceira, formigamento ou dor nas nádegas, pernas ou quadris. 

Ficar doente, estresse, cansaço e qualquer outra situação que piore a nossa imunidade podem desencadear surtos de herpes recorrentes. Nas mulheres, os períodos menstruais podem ser um fator desencadeante.

As mulheres conquistaram uma liberdade sexual muito importante nos últimos anos, mas sexo desprotegido pode trazer consequências sérias. Além de todas as doenças graves que podem ser adquiridas, há grande prejuízo na qualidade da sexualidade da mulher que adquire uma DST. Muitas tem dificuldade de voltar a ter relações com tranquilidade, sentem dores crônicas entre outras questões. Por isso, o melhor caminho é a prevenção através do sexo seguro com uso de preservativo!


Grande abraço 

Bárbara Murayama